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Xicas da Silva utiliza poder do tambor e da música mineira para falar sobre feminismo

Grupo musical completa 13 anos e leva ao país o espetáculo "Pindorama, Mulheres do Brasil"

Grupo Xicas da Silva faz apresentação durante inauguração do Armazém do Campo, em Belo Horizonte
Grupo Xicas da Silva faz apresentação durante inauguração do Armazém do Campo, em Belo Horizonte | Crédito: Geanini Hackbardt

Com 13 anos de estrada, o grupo musical Xicas da Silva utiliza o poder do tambor e da música negra para falar de tudo um pouco, principalmente de feminismo e ancestralidade. Formado exclusivamente por mulheres, o objetivo do grupo é retomar o cancioneiro local de Minas Gerais e seguir a trilha de músicos que ressaltam a cultura mineira, como Pereira da Viola.

Ao todo, mais de 20 mulheres se revezam no palco do Xicas da Silva, em formações que se renovam durante as apresentações. Pelo caminho, o grupo enfrentou muita resistência, principalmente questionamentos sobre a capacidade que elas teriam de tocar os tambores mineiros.

A cantora e percussionista Iamí Rane lembra que desde o início do grupo, formado no projeto mineiro Bloco Oficina Tambolelê, elas sempre se sentiram desafiadas a levar sua arte à diante.

"Éramos nós, mulheres, tocando tambor e tendo que ouvir aquela piadinha de: 'ah, você vai aguentar tocar esse tambor'. 'Vai quebrar a unha tocando o tambor'. 'Não, você vai dar conta de tocar metade'. Aí a gente fazia o que? 'Vou tocar o maior instrumento, para mostrar que eu consigo sim, tanto quanto você'".

O tempo passou, o grupo se tornou referência na cena alternativa mineira e agora, diz Iami, levanta bandeiras maiores do que apenas provar serem capacitadas para tocar tambores.

"A gente se reinventou até nisso. Porque antes, era aí que a gente tinha que ser resistente. E na medida que vão passando os anos, a gente vem trazendo outras questões, não tem como. Já que a gente está ali, trabalhando com o universo feminino, tem coisas que são inerentes a isso".

As dificuldades, no entanto, não param por aí. Para a integrante Andressa Versi, ainda existe muita desconfiança do público em aceitar mulheres que se dedicam à música regional, principalmente a música mineira de tambor. 

"Quando chega um grupo de mulheres, primeiro as pessoas ignoram, depois as pessoas desconfiam, depois talvez elas comecem a dar uma chance. E quando você toca elas falam: 'Olha, ela toca, É um grupo de mulheres que fazem até direitinho'. Para depois, quem sabe, assumir que é um grupo bom. Isso está acontecendo com diversos grupos em Belo Horizonte. É realmente esse fortalecimento das mulheres na cena de BH".

Para Iamí Rane, mesmo com tanto tempo de estrada e resistência, é importante ressaltar a questão negra que dá origem ao nome da banda e à sua formação. 

"A gente está com 13 anos, mas a gente nunca pode esquecer de onde a gente saiu. O trabalho do grupo Tambolelê sempre foi esse, de exaltação, de valorização da música negra, mineira, brasileira e assim foi também o nosso processo de formação e que a gente mantém hoje".

Para comemorar os 13 anos de grupo, o Xicas da Silva tem levado para vários cantos do país o espetáculo “Pindorama, Mulheres do Brasil”. Para conhecer a agenda, acompanhe a banda nas redes sociais.

Editado por: Anelize Moreira

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