59 anos da ditadura

Filme eterniza a luta de Manoel da Conceição contra a ditadura e pelos direitos dos camponeses

'Minha perna é minha classe!', lema de vida do lutador popular, dá título ao documentário, lançado em fevereiro

O documentário foi disponibilizado para movimentos sociais e entidades ligadas à luta de Manoel da Conceição | Crédito: Marcelo Cruz

Símbolo de resistência à ditadura militar, o maranhense Manoel da Conceição é uma das maiores lideranças sociopolíticas do país e tem sua história contada em documentário lançado em fevereiro deste ano.
 
Perseguido, torturado e exilado, Manoel dedicou sua vida à organização da luta pelos direitos dos trabalhadores rurais.
 
Entre diversas prisões, machucado e sem assistência médica, teve uma perna amputada e fincou na história a marca de sua resistência sob o lema: “Minha perna é minha classe!”, título do documentário.

A produtora Cássia Melo destaca a importância da história de Manoel e sua relação com a história do próprio Brasil. 

"Contar a história do Manoel é contar a história do Brasil. Estamos falando de um homem que precisa desse resgate de memória sobre a sua vida, porque basicamente ele começou a questão do Partido dos Trabalhadores, fundou junto com Lula. E, junto com outras pessoas, ele representa a classe dos trabalhadores rurais", explica. 

Confira a reportagem em vídeo no Bem Viver na TV:

A produção teve início em 2019, com a coleta de relatos, entrevistas e materiais históricos sobre Manoel da Conceição, com o desafio de resumir sua trajetória em uma hora e meia. Ainda assim, muitas cenas acabaram ficando de fora, por isso a produção cogita fazer uma série documental.

"Tivemos dificuldade em resumir a vida dele em 1h30, mas pensamos que uma série de três capítulos de trinta minutos já se tem, e ainda falta muita coisa para contar", ressalta Cássia.
 
O material ainda não foi disponibilizado, mas a produção já realizou exibições nas cidades de São Luís e Imperatriz, no Maranhão, e em São Paulo.
 
Com as condições físicas e psicológicas já debilitadas, Manoel faleceu no dia 18 de julho de 2021, em Imperatriz, interior do Maranhão, onde conviveu até os últimos instantes de sua vida com a companheira, Denise Leal. Ela revela ter se sentido muito emocionada com o documentário.
 
"Muitas vezes ele foi visto de maneira negativa pela ditadura, fizeram muita propaganda contra ele, mas agora não, agora as pessoas sabem quem realmente ele foi. Acho que todo mundo deveria assistir esse filme, independente de gostar dele ou não. Mas acho que não tem quem não goste de Manoel. Só a ditadura mesmo", diz, emocionada, Denise.
 
Filha mais nova de Manoel, Mariana Nóbrega contribui com movimentos sociais do Maranhão e defende o legado deixado pelo pai e a importância da continuidade dessa luta.

"Eu acho que é impossível a gente se descolar e não dar continuidade a essa luta. O maior legado que a gente pode ter é dar continuidade a essa luta, preservar a memória, fazer com que a gente lute por um mundo mais justo, mais humano, fraterno e solidário, onde as pessoas tenham acesso a dignidade, a melhores condições de vida e que possam estar pensando principalmente o campo, que é tão marginalizado. O campo como lugar de vida, como lugar de arte, de preservação e conservação do meio ambiente da cultura daquele lugar", afirma Mariana. 
 
O documentário está sendo disponibilizado, inicialmente, para movimentos sociais e entidades ligadas à luta de Manoel da Conceição, mas em breve estará nas plataformas de streaming. Para mais informações sobre a luta e a história de Manoel, acesse o Instagram.
 

Editado por: Rodrigo Gomes

|

Newsletter