O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de terça-feira (16) que o governo venezuelano liderado por Nicolás Maduro foi designado como uma “organização terrorista estrangeira”. Ele afirmou que os EUA cercaram “completamente” a Venezuela por mar e que não se retirarão até que a nação sul-americana devolva os bens que, segundo ele, “roubou” de Washington.
O correspondente do Brasil de Fato em Caracas, Pedro Pannunzio, comentou que na Venezuela o clima e a rotina do dia a dia dos cidadãos seguem “inabaláveis”. Os mercados estão sem fila para estoque e não há problemas de desabastecimento.
“Por outro lado, na parte política a história é diferente. Após o anúncio de Trump de bloquear as embarcações petroleiras sancionadas pelos Estados Unidos, o governo venezuelano rapidamente respondeu reafirmando a soberania do país, rechaçando a ameaça e apelando para o direito internacional”, sinaliza.
Desde agosto deste ano, os EUA mantêm uma força militar significativa na costa da Venezuela, justificando-a como parte da luta contra as drogas. Washington anunciou posteriormente a Operação Lança do Sul, com o objetivo oficial de “eliminar narcoterroristas” do Hemisfério Ocidental e “proteger” os EUA “das drogas que estão matando” seus cidadãos. Além disso, Trump afirmou que, para esse fim, lançaria em breve ataques terrestres.
Como parte dessas operações, foram realizados atentados contra supostos navios traficantes no Caribe e no Pacífico. Os ataques resultaram em dezenas de mortes. As ações militares dos EUA seguem sem provas de que as embarcações de fato traficavam narcóticos. Vale destacar que a ONU e a própria DEA apontam que a Venezuela não é uma rota principal para o tráfico de drogas para território estadunidense, já que mais de 80% das drogas utilizam a rota do Pacífico.
Desde então, o governo venezuelano tem respondido a todas as ameaças e pressões dos Estados Unidos. Pannunzio reitera que, após a declaração de Trump alegando que a Venezuela estava cercada, no dia seguinte aconteceram diversas mobilizações por parte das diferentes instâncias do governo Maduro.
“O Ministério da Defesa convocou um pronunciamento em cadeia nacional para rechaçar as ameaças e reafirmar a soberania. A PDVSA, estatal do petróleo, também emitiu nota afirmando que as exportações seguem normalmente. O partido de governo PSUV igualmente se manifestou, e a Assembleia Nacional convocou uma sessão extraordinária para aprovar uma moção de repúdio ao anúncio de Trump”, pontua.
Recentemente, a Justiça dos Estados Unidos aprovou a liquidação da Citgo, que é o braço petroleiro da PDVSA nos Estados Unidos. De acordo com o governo venezuelano, quem está por trás disso são figuras da oposição que incentivam o golpe de Estado, inclusive Juan Guaidó, que detém parte desses recursos venezuelanos.
“É um cenário realmente absurdo: o congelamento de ativos de um país, colocados em nome de pessoas que, da noite para o dia, se autodeclararam presidente”, critica.
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, denunciou que a líder extremista da oposição venezuelana, María Corina Machado, contratou mercenários para atacar embaixadas de outros países na Venezuela.
Durante seu programa de televisão Con el Mazo Dando, ele disse que a política de extrema direita “não é uma marionete do presidente dos EUA, Donald Trump, mas sim da petrolífera norte-americana ExxonMobil” e “das empresas que querem vir saquear a Venezuela”.
“Cori [María Corina Machado] conversou com grupos de mercenários para operações relâmpago em embaixadas localizadas na Venezuela, até mesmo ataques que irritariam a comunidade internacional para que, por vingança, decidissem apoiar” Edmundo González Urrutia, o ex-candidato da oposição nas últimas eleições presidenciais — vencidas por Nicolás Maduro.
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