imperialismo

‘EUA entenderam que a Venezuela era o motor da integração latino-americana’, afirma analista político

O sequestro de Maduro era 'fundamental' para neutralizar uma ameaça, na avaliação de Hugo Albuquerque

Fiéis evangélicos seguram imagens do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos no dia 3 de janeiro
Fiéis evangélicos seguram imagens do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos no dia 3 de janeiro | Crédito: FEDERICO PARRA / AFP

O sequestro de Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump foi, até aqui, o capítulo mais dramático de uma campanha ostensiva dos Estados Unidos contra o chavismo que vem desde antes dos governos Trump. Já nas passagens de George W. Bush e Barack Obama pela Casa Branca houve uma mudança de entendimento sobre a relevância da Venezuela no cenário regional, antes subestimada.

A avaliação é do analista político Hugo Albuquerque, convidado da edição 62 do podcast O Estrangeiro, do Brasil de Fato. O especialista destacou que a percepção estadunidense mudou quando ficou nítido o avanço do processo de integração latino-americana, e a importância venezuelana nesse processo.

“Os Estados Unidos entenderam que a Venezuela era o motor da integração latino-americana. Neutralizar a Venezuela era fundamental. Essa integração chegava ao Caribe, fortalecia Cuba e criava uma direção política com base energética. Isso era inaceitável para Washington”, disse Albuquerque.

Cuba também cumpre papel fundamental nesse cenário de integração e, como é sabido, é outro dos alvos preferenciais do imperialismo dos Estados Unidos há décadas.

“Os Estados Unidos nunca aceitaram a Revolução Cubana. O que garantiu Cuba foi a União Soviética. Cruzar a linha em Cuba permitiria à União Soviética cruzar a linha em outros lugares. Isso nunca mudou completamente. A Rússia nunca retirou totalmente essa proteção de Cuba”, lembrou Albuquerque.

A ilha caribenha hoje sofre as consequências diretas do ataque de Trump à Venezuela. O correspondente do Brasil de Fato em Havana, Gabriel Vera Lopes, relatou as dificuldades passadas pela população do país e agravadas pelo cenário atual.

“Hoje Cuba produz aproximadamente 35% da energia que necessita. Precisa importar os outros 65%. Cerca de 30 mil barris por dia vinham da Venezuela. Se os Estados Unidos conseguem bloquear esse fluxo, Cuba tem um problema muito grande”, alertou.

Trump não fez nenhuma questão de esconder que o petróleo está no centro de suas motivações para o ataque a Caracas e o sequestro de Maduro. O correspondente do BdF na Venezuela, Petro Pannunzio, também participou de O Estrangeiro nesta semana, e relatou o avanço das pressões do trumpismo para que os venezuelanos sufoquem Cuba.

“A Venezuela sofre um assédio direto dos Estados Unidos sobre suas exportações de petróleo. Cuba tem sido abastecida principalmente pelo México, mas o México não tem alinhamento político suficiente para bancar um embate com os EUA. Ainda não está claro como vão se dar essas exportações”, destacou.

E não é só Venezuela e Cuba. Trump ataca e ameaça países de diferentes partes do mundo, como Irã, Dinamarca (e, por consequência, toda a Europa, por conta da Groenlândia), China e muito mais. Essa postura pode ofuscar problemas internos de grande monta.

“O Trump está agindo de maneira muito afobada. Existe algo pior na economia americana do que o que aparece. A aposta deles é a inteligência artificial, e isso cria uma bolha. Se isso der errado, pode virar um buraco negro econômico”, resumiu Hugo Albuquerque.

Para ouvir e assistir

O podcast O Estrangeiro vai ao ar toda quarta-feira, às 15h, no Spotify e no YouTube.

Editado por: Luís Indriunas

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