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Estreito de Ormuz fez Trump se dobrar à estratégia de ‘desdolarização na bala’ usada pelo Irã

Podcast debate o recuo de Trump e quais serão as possíveis 'jogadas' da guerra nas próximas semanas

A mourner holds a cartoon denouncing the US President Donald Trump and associating him with the late convicted US sex offender Jeffrey Epstein, during the funeral ceremony for Iran's slain intelligence minister Esmail Khatib and his family after the weekly Friday Muslim noon prayers in Tehran on March 20, 2026. Israel's military said on March 18 that it would not stop its "series of eliminations" of senior Iranian officials, after announcing it had killed Khatib. His killing came soon after Israel killed Iran's powerful security chief Ali Larijani. (Photo by AFP)
Cartaz vincula Donald Trump ao magnata Jeffrey Epstein | Crédito: AFP

Em mais um revés no confronto com o Irã, Donald Trump se viu obrigado a aceitar um cessar-fogo em troca da reabertura do Estreito de Ormuz por duas semanas. Sem o apoio de aliados europeus e diante da alta no preço do petróleo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta dificuldades para sustentar sua estratégia no conflito e se vê cada vez mais isolado.

Em comunicado, o Conselho de Segurança Nacional do Irã afirmou que “o inimigo, em sua guerra injusta, ilegal e criminosa contra a nação iraniana, sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora”.

Em entrevista ao podcast O Estrangeiro desta quarta-feira (8), o analista geopolítico e pesquisador do Instituto Tricontinental Marco Fernandes destaca que os EUA não são confiáveis e que a postura de Israel de seguir com bombardeios mostra isso, mas que, independentemente do que vai acontecer daqui para frente, o Irã já conquistou uma vitória histórica.

“O Irã é a Stalingrado da nossa época. Eu falei disso diante do russos e eles concordaram com a metáfora. Grande parte do que vai ser o mundo nos próximos anos, os destinos da multipolaridade, os destinos do Sul Global, eles estão sendo jogados no Irã nessas semanas”, explica.

Fernandes usa a expressão “desdolarização na bala” para definir o processo de pressão ao “petrodólar” que o governo Iraniano tem imposto desde que bloqueou o Estreito de Ormuz, como destacado por ele, apenas para “os países que estão em guerra contra o Irã”.

“Esse é um dos aspectos geniais da estratégia iraniana, que eu divido em três níveis. A estratégia miliar. A dimensão comunicacional, porque o Irã está dando um show de redes sociais, com memes e clipes de Lego com rap estadunidense, negócio brilhante. E ela tem um aspecto econômico. E esse aspecto econômico é que transformou a guerra numa guerra global. E na verdade a falta mesmo de combustível vai começar a acontecer entre essa semana e a semana que vem, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Então, eles acertaram na mosca, porque esse foi um instrumento de pressão gigantesco”, pontuou. 

Além disso, o governo iraniano anunciou que vai passar a cobrar um pedágio para passar pelo Estreito, que deverá ser pago em criptomoeda. Para Marco Fernandes, o que o Irã está propondo é uma “desdolarização na bala”. “O mundo multipolar não vai nascer em reuniões de gente engravatada, diplomáticos, diplomatas engravatados. vai nascer em confrontos como esse que estão acontecendo agora”, define.

Para ouvir e assistir

O podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas-feiras às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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