Arte viva

Barbatuques é destaque no especial do dia das crianças do Radinho Entrevista

Repórteres por um dia, pequenas conversam com os artistas sobre sonhos, carreira e a arte de fazer som com o corpo

Barbatuques
Grupo foi criado em 1990 por Fernando Barbosa, o Barba | Crédito: Divulgação

Depois de um breve intervalo, o podcast Radinho BDF está de volta ao Brasil de Fato com uma edição especial para o Dia das Crianças. No novo episódio, do “Radinho Entrevista” — programa apresentado pela jornalista Camila Salmazio, em que os pequenos e pequenas assumem os microfones e se tornam “jornalistas” por um dia — Giba Alves e Tais Balieiro, integrantes do grupo Barbatuques, referência em percussão corporal, batem um papo com Mikaela Santos, Francesca Naves, Valentina Gola, Manoela Mendes, Isadora Gola e Maitê Sulic.

Criado em 1995 pelo músico paulistano Fernando Barba, o Barbatuques é formado por 12 integrantes (Tais Balieiro, André Hosoi, André Venegas, Giba Alves, João Simão, Lu Horta, Heloiza Ribeiro, Mairah Rocha, Maurício Maas, Renato Epstein e Lu Cestari) que fazem música com o corpo. Palmas, batidas no peito, estalos com os dedos, assobios e sapateados se transformam em ritmos que vão do samba ao rap, sempre com alegria e invenção.

No programa, Balieiro e Alves falaram sobre arte, infância, o fazer coletivo e o esforço silencioso que esculpe cada apresentação. Entre risadas e curiosidades, eles dividem histórias de vida e memórias sonoras que inspiram gerações e diversos artistas da cena da música infantil. Já de cara, Mikaela quis saber sobre os sonhos dos convidados. “Acho que o meu sonho é continuar fazendo arte, boa arte para as pessoas além de se divertirem, saírem com uma coisa a mais dos nossos shows”, contou Taís. 

Alves, que também é baterista, revelou um desejo de infância: “Sonho, sonho mesmo, daquele que é realmente um sonho, era jogar uma Copa do Mundo. Mas o Barbatuques me fez realizar outro: tocar música pelo mundo”.

Descobrindo o Barbatuques

As entrevistadoras queriam saber de tudo: desde a primeira canção até o nome inusitado do grupo. Alves explicou que tudo começou com o Barba, fundador do Barbatuques. “O apelido dele vinha de Fernando Barbosa. A Lu Horta brincava que era o batuque do Barba, e acabou formando essa palavra: Barbatuques”. A origem leve e improvisada, ele conta, acabou virando um símbolo do espírito do grupo e “virou sinônimo de um jeito de tocar, de um modo de estar junto”.

Taís Balieiro, que chegou ao Barbatuques vinda do sapateado, contou como a dança e a música se misturam em sua trajetória. “O sapateado é uma dança percussiva, porque a gente faz som com o pé. Eu era arquiteta e bailarina, até que um dia vi a Lu Horta fazendo sons com várias partes do corpo e pensei: ‘Nossa, eu quero isso também’”. Para ela, o  encontro mudou sua carreira. “Porque a gente tenta se desafiar cada vez mais e fazer coisas diferentes e descobrir outros timbres, outros jeitos de cantar”. 

Entre uma pergunta e outra, as crianças vão descobrindo os segredos musicais do grupo. Em resposta a pergunta de Francesca, o baterista lembrou que “Barba Papas Groove” foi a primeira composição do grupo, criada nos anos 1990 em um festival de percussão em Salvador. “Era uma homenagem ao desenho Barba Papas. No fundo, a gente é o instrumentista e o instrumento ao mesmo tempo”, conta. Já Balieiro revelou o carinho por “Do Mangue à Manga” e “Baião Destemperado”, e Alves destaca “Baianá”, sucesso que viajou o mundo. “Tem rap de São Paulo, coco de Pernambuco e até flamenco da Espanha”, diverte-se.

Com humor, os músicos também falam dos bastidores e das dificuldades de se manter tanto tempo juntos. Já são três décadas de parceria do grupo. “A gente se dá bem sim, apesar das diferenças”, conta Taís. “Hoje a gente se dá bem como uma família”, completa Alves, em tom de brincadeira. “Concordo inclusive para não dar briga”. 

Considerando que o grupo brasileiro Barbatuques é reconhecido internacionalmente por sua linguagem singular de percussão e música corporal, é claro que as pequenas jornalistas também quiseram saber como os músicos lidam com a fama. Isadora perguntou se eles gostavam de ser famosos e os dois foram unânimes. “Eu não me considero famosa, nem um pouco”, diz Taís. “O que me deixa feliz é o Barbatuques ser reconhecido, mais do que famoso”, completa o músico. “O que se conhece por Barbatuques é a mistura do trabalho de todos nós. O que dá certo é um pouquinho de cada um.”

O episódio também teve espaço para trocas práticas. Entre palmas e estalos, eles ensinam as crianças a criar sons com o corpo e até introduziu o beatbox.

 “Se a gente fizer a letra P sem usar voz, esse P mudo pode ser o bumbo. Isso também é fazer música com o corpo”. O estúdio se transformou em um pequeno coral percussivo, cheio de risadas, ritmo e encantamento. E o convite ficou no ar: ver o Barbatuques ao vivo. “O show do Barbatuques é o único em que você pode levar o instrumento,  o próprio corpo”, conclui Giba Alves. 

Sintonize seu radinho

O programa Radinho BdF está disponível nas principais plataformas de streaming e também pode ser ouvida no site do BdF e na Rádio Brasil de Fato, no 98.9 FM.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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