Música

‘No final, a gente quer emocionar’, declara Verônica Ferriani sobre intenções de suas composições

Cantora avalia meios de expressão e a relevância do espaço feminino em meio a arte

veronica ferriani, cantora
veronica ferriani, cantora | Crédito: Thais Taverna

“O ritmo vai dar opções para solucionar a comunicação da palavra”, sublinha Verônica Ferriani, cantora, instrumentista e compositora, a respeito da forma como busca, através da música, se expressar e expor seus ideais, enquanto defende pontos importantes e sensíveis à sociedade, uma vez que “no final, a gente quer emocionar!”.

Nesta semana, o episódio 87 do Sabe Som?, podcast de música do Brasil de Fato, apresentado por Thiago França, contou com a ilustre presença de Verônica para conversar não apenas sobre sua jornada musical, mas também sobre os desafios de fazer arte no Brasil, ainda mais potencializados pelas desigualdades sociais, a jornada da maternidade, as barreiras impostas pela meritocracia, entre outros obstáculos.

Sobre ser musicista, compor e interpretar, Verônica reforça que se trata de “uma ilusão boa de se ter, mas difícil depois de cumprir”, e que, apesar dos facilitadores contemporâneos — como aplicativos de gravação, composição e reprodução musical — “muitos têm voz, mas quem os escuta?”, questiona a compositora.

“A gente vem desse lugar onde acredita-se que o talento se sobrepõe ao esforço, e com o tempo percebi que isso é uma bobagem, e notei que eu podia compartilhar, que eu podia chegar em mais pessoas e emitir mais opiniões também, e foi uma experiência riquíssima!”

Com 11 discos lançados, a cantora evidencia que, na condição de mulher e de mãe, as barreiras vão além de conciliar a vida pessoal e profissional, administrando os compromissos da maternidade com a música: passam também por se posicionar artisticamente como tal, uma vez que “quando eu estou cantando, eu quero me fazer entender”, reforça.

Melodia e maternidade entre colo e microfone

A posição da mãe, muitas vezes silenciada e, em outras tantas, extremamente romantizada, ganha espaço, poder e voz em Cochicho no silêncio vira barulho, irmã, último disco lançado por Verônica em 2024. Nele, faixas como Trabalho Maternal e Amor que Fica, produzida em parceria com Mônica Salmaso, narram e evidenciam os sentimentos e a importância da mulher-mãe enquanto cidadã.

“Uma mãe falando em primeira pessoa, sem intermediações sobre a realidade da maternidade. Meu disco é bastante sobre isso. Na sociedade, quando tudo está representado, ou a maternidade não está, ou ela é apresentada apenas em forma de homenagem!”

A intérprete salienta a importância de ter uma voz feminina na condição de eu lírico em meio às composições brasileiras, para que as representações da maternidade deixem de ter apenas um tom contemplativo e passem a ser também de luta, uma vez que, como observa, as músicas brasileiras geralmente “ou é o filho dizendo ‘mãe obrigado, mas estou indo’, ou é ‘mãe obrigado, mas estou voltando’”, aponta Verônica.

Apesar do poder de influência que a música historicamente sempre teve no cotidiano e no comportamento das pessoas, a compositora relembra que “a música nunca teve obrigação de direcionar uma cultura, ela também representa o que ela vê”. Portanto, a forma como determinada figura é tratada ou representada em uma letra não necessariamente indica um ideal a ser perseguido, mas, sim, o reflexo de uma realidade social.

Falar e se posicionar por meio da música, reforça Verônica, não é seguir uma receita com medidas exatas, temperos e ingredientes pré-estabelecidos, nem trilhar um caminho único. “Gosto é de ter a consciência da comunicação, eu acho isso essencial. Acho isso muito legal para o intérprete, mas não é o único caminho, é um dos caminhos, é o meu caminho, é como eu gosto de comunicar!”

Uma vez que falar e se posicionar por meio da música não é seguir uma receita com medidas exatas, temperos e ingredientes pré-estabelecidos, Veronica reforça que “gosto é de ter a consciência da comunicação, eu acho isso essencial. Acho isso muito legal para o intérprete, mas não é o único caminho, é um dos caminhos, é o meu caminho, é como eu gosto de comunicar!”

Editado por: Maria Teresa Cruz

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