“Pôr do sol com uma luz louca ou vento que bate”, é a forma poética como Sérgio Sayeg, popularmente conhecido como Sessa, cantor, compositor, violonista, define o seu último trabalho, o disco Pequena Vertigem de Amor, produzido nos Estados Unidos, porém com muitas influências brasileiras, principalmente através do modo como “as cordas remetem aos sons da natureza”, como ilustra o músico.
No episódio 99 do Sabe Som?, Thiago França conversou com o músico paulista Sessa, que, além de detalhar sobre o processo de criação musical fora do Brasil, também reforçou como as faixas deste novo projeto carregam “uma sonoridade meio setentista.”
Diante da diferença, não somente estética, mas também sonora, quando comparado principalmente com o seu disco anterior, o Estrela Acesa, Sessa qualifica o novo trabalho como “diásporas muito variadas”, vide principalmente a abrangência do disco, que vai de Nome de Deus, faixa que abre o álbum com muitas referências ao tradicional e amado MPB, que conta com a participação de Cecília Góes nos backing vocals, passando por Roupa dos Mortos, que apesar de toda brasilidade presente, é uma música bem mais lenta e totalmente instrumental.
Por mais que Sessa ironize ao dizer que “acho que os meus discos ainda são de rock”, já que suas produções carregam elementos tipicamente brasileiros, mas o violonista não esconde sua paixão pelo gênero e reforça como o gênero nascido na década de 1960 tem influência direta em seu trabalho, deixando o disco “todo colorido e psicodélico!”
Com mais de dez anos de vivência nos Estados Unidos, o compositor revela que, ainda que a imagem do país não seja as melhores atualmente, principalmente por conta de todos os conflitos sociais e geopolíticos a quais estão envolvidos, ainda assim existe uma romantização voltada ao estilo de vida, principalmente em Nova Iorque, onde viveu durante longo período.
“Me formei profissionalmente como músico lá, com a vivência de estar circulando, tocando em qualquer lugar, desde porões e buracos, de salsa ao punk, e até a música brasileira, tocando tudo o que fosse aparecendo, e parte dessa dinâmica tem aqui também, com gente e música do mundo inteiro. Mas eu acredito que lá é uma cidade onde tudo é um pouco mais inflamado!” Destaca Sessa.
Mesmo relembrando como “é meio punk viver de música”, uma vez que se sustentar através da sua arte, seja em território nacional, ou no exterior, é uma tarefa extremamente delicada, o músico sublinha como “o trabalho também é uma busca por beleza!”
Em suma, por mais que o universo da arte, e mais especificamente da música, se apresente como algo dinâmico e cada vez mais imediatista, principalmente pela modalidade de consumo contemporâneo, Sessa faz questão de sublinhar como a “música é uma arte de comunicação, é uma onda vibrando no ar até chegar no ouvido de alguém”, e que seu principal intuito com o Pequena Vertigem de Amor era “criar um pequeno mundinho de trinta e cinco minutos para você poder sumir!”
O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira, às 10h da manhã, e está disponível nas principais plataformas de podcast como Spotify e YouTube Music.
