Negro Leo e Ava Rocha se viram parceiros no amor, na vida e na música. Tanto é que um dos trabalhos da dupla é o show “Bodas”, uma ode à união dos dois que chega a 17 anos. Coincidência ou não, neste 12 de junho, Dia dos Namorados, eles são os convidados do episódio de Sabe Som?, podcast apresentado por Thiago França.
Bastante performáticos, eles contam do processo de criação e da relação de confiança que foram construindo, como casal e como artistas que se admiram e co-criam. “E eu amo fazer esse show, amo estar com o Leo no palco. Porque é um momento único. É algo que transcende qualquer espetáculo meu ou dele. Porque eu acho que traz um desnudamento mesmo. É como se as pessoas estivessem na nossa casa. Não tem cenário de casa, mas existe realmente uma aproximação dessa experiência que é muito real”, conta Ava Rocha. “Acho que esse show agora é pra sempre. Isso está instigando muito a gente também a compor coisas novas. A gente tem vontade de, em algum momento, fazer um registro que ainda não foi feito, que é um disco nosso. A gente já faz as coisas juntos há muito tempo, mas essas músicas todas já foram registradas em trabalhos meus ou trabalhos dele. A gente está cruzando o tempo todo, tem toda essa mistura. Então, eu pessoalmente considero o Léo super importante em todos os meus discos. Eu sempre recorro a ele, sempre”, revela.
Rocha destaca que, embora os dois caminhem artisticamente unidos, há projetos que correm em paralelo e que são individuais, e isso, reforça a artista, é muito importante. “A gente tem esses momentos de muita simbiose e outros de muito individualismo, de um território mais privado, que eu acho que é natural e saudável dentro, seja de um casamento, de uma relação, de uma parceria.”
Negro Leo conta que, no início, não se sentia à vontade nesse papel e relata até uma boa dose de timidez. A companheira e a experiência no cinema e no teatro o ajudaram a se soltar. “Hoje é algo superado. Mas Ava lembra os primeiros shows que eu fazia, que eu saía do palco. O palco sempre foi um lugar de batalha para mim, mas cada vez menos, a ponto de eu estar tomando gosto. Esse ano eu tenho feito muitas colaborações. Está me dando muito jogo de cintura. Muitas coisas legais aconteceram. O próprio Tiny Desk que a gente fez junto. Essas coisas vão dando força e estofo”, lembra.
“No cinema fiz muita coisa. Primeiro, tem um filme que a gente dirigiu, gravou, filmou e etc. Eu e Gregório Gananian. A Ava é atriz do filme. Uma [filha do casal] é atriz do filme. Esse filme a gente filmou em 2019, na China. A gente foi lá pelo projeto do Ali Amazônia, o China Tropical. E a gente esteve lá trabalhando com um casal de chineses, assim como nós. E foi muito legal trabalhar com esse pessoal. O filme se chama ‘Aquele que viu o abismo’. Ganhamos um edital e ele vai circular por aí. Eu também fiz o filme do Theo Popovich na Disney+, que chama ‘A vilã das nove’, como ator”, conta.
Ava Rocha compartilha seus novos projetos e conta como a performance fundou de sua identidade como artista, que, segundo ela, transcende e muito o cantar uma música ou tocar um instrumento.
“Eu incorporo aquilo. É como um corpo político, uma visão política daquilo também. Sei lá, eu vou viajando. Já fui muito tímida. No começo, eu era tímida. Todos nós já fomos. E muita gente às vezes me pergunta, mas eu falo que é uma trajetória. Eu sempre tive o palco como um espaço sagrado de experimentação, mesmo. Não de reprodução ou de mostrar nada, ninguém. É quase um mergulho. Então, a cada show, eu invento, descubro novas coisas e venho me fazendo dessa forma”, revela.
O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify e YouTube Music.
