Contra imperialismo

‘Ataque à Venezuela e tarifaço no Brasil são parte de uma mesma estratégia dos EUA’, afirma Breno Altman, do Opera Mundi

O Brasil e o mundo repercutem o ataque que tomou as manchetes na primeira semana de 2026

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Uma mulher segura um retrato do presidente venezuelano Nicolás Maduro, sequestrado pelas forças militares dos Estados Unidos
Uma mulher segura um retrato do presidente venezuelano Nicolás Maduro, sequestrado pelas forças militares dos Estados Unidos | Crédito: Federico Parra / AFP

O ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump em 3 de janeiro fazem parte uma estratégia dos Estados Unidos que inclui a tentativa de interferir na Justiça brasileira por meio da guerra tarifária, aponta o jornalista e fundador do site Opera Mundi, Breno Altman.

Na primeira edição do ano do podcast Três Por Quatro, do Brasil de Fato, o apresentador Igor Carvalho, o historiador e professor Valério Arcary e Altman debateram as primeiras consequências do ataque à soberania venezuelana e as perspectivas no cenário internacional para os próximos passos.

“O que está acontecendo na Venezuela tem tudo a ver com o Brasil, como já pudemos testar. Recordemo-nos que poucos meses atrás Donald Trump impôs ao Brasil uma guerra tarifária chantageando o país, dizendo que aquelas tarifas elevadas não seriam revogadas se os processos contra Bolsonaro não fossem anulados”, recordou o jornalista. “Faz parte de uma mesma estratégia o que está acontecendo na Venezuela, o que aconteceu e poderá voltar a acontecer com o Brasil, o que está acontecendo também com Colômbia e Cuba e poderá vir a ocorrer com outras nações da nossa região.”

O jornalista avalia que os Estados Unidos querem ter, em todos os países da região, “governos alinhados à sua doutrina regional, governos vassalos da Casa Branca”. Para ele, os Estados Unidos voltaram a considerar a América Latina um “protetorado”. “E um protetorado deve ser governado por governo vassalo. Governos vassalos, subservientes, servis”, completou

Altman foi um dos primeiros jornalistas a conversar com a agora presidenta interina Delcy Rodríguez após o ataque. O primeiro contato foi cerca de meia hora após o fim da ação militar dos EUA. O segundo, depois que Trump já tinha postado sobre o tema nas redes sociais.

“Eu a vi sempre serena. Tensa, evidentemente. Muito cansada, pois tinha passado a noite em claro. Ela não foi acordada pelos ataques, estava acordada após uma jornada de trabalho extensa, e ainda sem clareza da situação, mas atuando dentro de um plano que já havia sido traçado. Não houve improviso”, explicou, destacando a organização do chavismo para a eventualidade da ausência de Maduro.

Para Arcary, o episódio reforça a necessidade de formação de uma consciência anti-imperialista que envolva pessoas não apenas da Venezuela, mas também do Brasil e dos demais países latino-americanos.

“Nossa primeira tarefa é desmontar toda a narrativa criminosa, sórdida, do imperialismo norte-americano, que é naturalizar que os Estados Unidos têm o direito de dominar o hemisfério ocidental”, destacou. “Não é verdade que o governo venezuelano é um estado terrorista. Toda a narrativa de Trump é construída em torno de uma falsidade monstruosa, insustentável”, prosseguiu.

Nesse contexto, os analistas entendem que o governo brasileiro tem grande responsabilidade na busca por unidade: “É uma ofensiva imperialista que precisa que os governos latino-americanos associados à esquerda ou à centro-esquerda se aliem, se associem. O Brasil joga um papel decisivo nisso”, resumiu Altman.

Para ouvir e assistir

O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.

Editado por: Luís Indriunas

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