O ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump em 3 de janeiro fazem parte uma estratégia dos Estados Unidos que inclui a tentativa de interferir na Justiça brasileira por meio da guerra tarifária, aponta o jornalista e fundador do site Opera Mundi, Breno Altman.
Na primeira edição do ano do podcast Três Por Quatro, do Brasil de Fato, o apresentador Igor Carvalho, o historiador e professor Valério Arcary e Altman debateram as primeiras consequências do ataque à soberania venezuelana e as perspectivas no cenário internacional para os próximos passos.
“O que está acontecendo na Venezuela tem tudo a ver com o Brasil, como já pudemos testar. Recordemo-nos que poucos meses atrás Donald Trump impôs ao Brasil uma guerra tarifária chantageando o país, dizendo que aquelas tarifas elevadas não seriam revogadas se os processos contra Bolsonaro não fossem anulados”, recordou o jornalista. “Faz parte de uma mesma estratégia o que está acontecendo na Venezuela, o que aconteceu e poderá voltar a acontecer com o Brasil, o que está acontecendo também com Colômbia e Cuba e poderá vir a ocorrer com outras nações da nossa região.”
O jornalista avalia que os Estados Unidos querem ter, em todos os países da região, “governos alinhados à sua doutrina regional, governos vassalos da Casa Branca”. Para ele, os Estados Unidos voltaram a considerar a América Latina um “protetorado”. “E um protetorado deve ser governado por governo vassalo. Governos vassalos, subservientes, servis”, completou
Altman foi um dos primeiros jornalistas a conversar com a agora presidenta interina Delcy Rodríguez após o ataque. O primeiro contato foi cerca de meia hora após o fim da ação militar dos EUA. O segundo, depois que Trump já tinha postado sobre o tema nas redes sociais.
“Eu a vi sempre serena. Tensa, evidentemente. Muito cansada, pois tinha passado a noite em claro. Ela não foi acordada pelos ataques, estava acordada após uma jornada de trabalho extensa, e ainda sem clareza da situação, mas atuando dentro de um plano que já havia sido traçado. Não houve improviso”, explicou, destacando a organização do chavismo para a eventualidade da ausência de Maduro.
Para Arcary, o episódio reforça a necessidade de formação de uma consciência anti-imperialista que envolva pessoas não apenas da Venezuela, mas também do Brasil e dos demais países latino-americanos.
“Nossa primeira tarefa é desmontar toda a narrativa criminosa, sórdida, do imperialismo norte-americano, que é naturalizar que os Estados Unidos têm o direito de dominar o hemisfério ocidental”, destacou. “Não é verdade que o governo venezuelano é um estado terrorista. Toda a narrativa de Trump é construída em torno de uma falsidade monstruosa, insustentável”, prosseguiu.
Nesse contexto, os analistas entendem que o governo brasileiro tem grande responsabilidade na busca por unidade: “É uma ofensiva imperialista que precisa que os governos latino-americanos associados à esquerda ou à centro-esquerda se aliem, se associem. O Brasil joga um papel decisivo nisso”, resumiu Altman.
Para ouvir e assistir
O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.
