financeirização

Caso Master joga holofote sobre problemas de regulação do sistema financeiro, avalia Genoino

Para o ex-deputado, a 'mão invisível do mercado' favorece episódios como esse

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O avanço das investigações sobre o caso do Banco Master deixa claro que é necessário reformar o sistema financeiro do país. A avaliação é do ex-deputado federal José Genoino, que cobra participação do poder executivo no processo.

“A crise do Banco Master está servindo para colocar holofote nesse sistema financeiro, que tem que ter uma regulamentação mais rigorosa. E o governo tem que dar apoio”, disse, na edição desta terça-feira (20) do podcast Três por Quatro, do Brasil de Fato.

No programa, o apresentador Igor Carvalho recebeu também o economista e doutor em história Pedro Faria, que lembrou que o escândalo poderia ser pior se não fosse a intervenção do Banco Central (BC), que determinou a liquidação do Master em novembro do ano passado, diante das suspeitas de fraude e do comprometimento da situação econômico-financeira da empresa de Daniel Vorcaro.

“A atuação do Banco Central foi, até onde a gente tem informações públicas, extremamente correta. E é importante ressaltar: já era conhecido no sistema financeiro que a situação do Master era insustentável”, afirmou. “Os CDBs [Certificados de Depósito Bancário] do Master ofereciam um retorno muito fora do padrão, mesmo para um banco pequeno”.

Apesar da atuação determinante da autoridade nacional, esse é um dos pontos que, segundo Genoino, precisa ser alvo de reflexão. Desde 2021, em mudança assinada durante o governo de Jair Bolsonaro, o BC tem autonomia, ou seja, suas decisões são desvinculadas das políticas de governo.

“Essa autonomia do Banco Central favoreceu muito mais o sistema financeiro, não favoreceu a sociedade para controlar nem as instituições democráticas para controlar o sistema financeiro”, avaliou o ex-deputado. “Tem que definir bem claro que é a autonomia do Banco Central não é em relação ao mercado, é em relação à sociedade, em relação às instituições democráticas”.

“O modelo de financeirização do país, particularmente da economia brasileira e da relação com o Estado, produziu esse gangsterismo. Eu acho que o nome correto deveria ser Banco Gangster Master, porque é gangsterismo”, prosseguiu Genoino. “Essa mão invisível no mercado, essa frouxidão das normas, essa falta de uma regulamentação mais rigorosa, dá margem a isso”.

Consequências para os cofres públicos?

Parte dos clientes do Master terá seu dinheiro ressarcido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada mantida pelos próprios bancos e que serve como uma espécie de “seguro” para casos como esse. O FGC, porém, só cobre os rombos de pequenos credores, que têm até R$ 250 mil aplicados. Pessoas físicas e jurídicas que aplicaram valores acima disso não serão ressarcidos.

Fundos de previdência de servidores públicos de diferentes estados e cidades do Brasil estão entre as entidades que fizeram investimentos no Master. Genoino avalia que esse é mais um indício do envolvimento dos responsáveis pelo banco com o meio político.

“Vejam o que eles fizeram com o fundo dos aposentados do Rio de Janeiro e o fundo do Amapá. De várias prefeituras espalhadas pelo Brasil. Eram as relações políticas se intrometendo no sistema financeiro para tirar proveito. Tudo indica que o Daniel Vorcaro tinha relações múltiplas e muita influência nos seus poderes”, afirmou.

Os investimentos desses fundos coloca em risco os cofres públicos, como explica Pedro Faria. As instituições fizeram as aplicações quando já era claro que o banco tinha problemas de liquidez e o risco era alto. Os investimentos, muito acima dos R$ 250 mil cobertos pelo FGC, precisarão ser ressarcidos.

“A gente vai ter que fazer uma disputa para que não sejam os professores, os servidores, enfermeiros, médicos que paguem: para que sejam os gestores públicos, todos políticos de direita, bom lembrar. É preciso tentar responsabilizar esses gestores que fizeram essas aplicações, porque senão quem vai pagar isso é o aposentado, daqui 10, 15 anos, quando o plano de previdência estiver com déficit, aí vem o governo local tentar fazer ajuste em cima do aposentado”, concluiu.

Para ouvir e assistir

O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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