Jogo político

PL do marco temporal é promulgado por Pacheco, e governo já prepara judicialização no STF

FPA ganhou disputa em torno do tema com ampla margem de vantagem em todas as votações

No audio source provided.
Promulgação de Pacheco vem depois de Congresso derrubar vetos ao PL 2903 no último dia 14 | Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), promulgou, nesta quinta-feira (28), o texto que cria legalmente o marco temporal para o reconhecimento de terras ocupadas por indígenas. A promulgação vem depois de o Congresso Nacional derrubar, no último dia 14, os vetos feitos pelo presidente Lula (PT) ao Projeto de Lei (PL) 2903/2023, no qual esses povos só devem ter direito a áreas que já ocupassem ou disputassem até 5 de outubro de 1988, data em que a atual Constituição Federal entrou em vigor.

A tendência agora é de nova judicialização do caso, uma vez que a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, havia antecipado que uma eventual derrubada dos vetos pelos parlamentares faria o governo Lula questionar a iniciativa no Supremo Tribunal Federal (STF). Em outra via de atuação, a bancada ruralista também tem dito que uma nova disputa judicial provocaria a aprovação de uma proposta de emenda constitucional (PEC) para dar maior segurança jurídica à tese do marco temporal. Como o grupo tem maioria o Legislativo, a ameaça é vista pelo campo progressista como real.

O PL 2903 foi aprovado pelo Legislativo após articulação da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e depois de uma longa saga política de rivalidade entre ruralistas e indígenas. A primeira proposta sobre o marco temporal surgiu por meio do PL 490/2007, que enfrentou duras críticas das bancadas mais progressistas do Congresso e foi alvo constante de especialistas na pauta do meio ambiente. Após o STF barrar a tese em julgamento ocorrido em setembro deste ano, a FPA providenciou a votação do PL 2903.  

Em todas as ocasiões em que o tema foi submetido à avaliação dos parlamentares, a FPA obteve ampla margem de vantagem. Ao votar o PL 2903 no final de setembro, o plenário do Senado aprovou a matéria por 43 votos favoráveis e 21 contrários. Na Câmara, os deputados deram sinal verde ao projeto em maio deste ano e sob um placar de 283 apoios, 155 votos “não” e uma abstenção. Pouco antes disso os mesmos parlamentares haviam aprovado a tramitação de urgência do PL na Casa por 324 votos favoráveis e 131 contrários.

Já na avaliação do veto do presidente da República por parte do Congresso Nacional, os deputados derrubaram a decisão por 321 votos favoráveis e 137 contrários, enquanto entre os senadores o placar terminou em 53 votos pela derrubada e 19 pela manutenção da posição do petista.

Editado por: Rebeca Cavalcante

|

Newsletter