Mobilizações

Lula pede que movimentos ocupem o país em defesa da democracia

O ex-presidente participou de ato promovido pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, neste sábado (16), em Brasília

Brasília (DF) |
Mais de 60 entidades participaram do ato, em Brasília (DF).
Mais de 60 entidades participaram do ato, em Brasília (DF). - Agência Brasil

Junto a trabalhadores do campo e da cidade, sindicalistas, estudantes, intelectuais e políticos do campo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado (16), do Ato em Defesa da Democracia e Contra o Golpe, realizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em Brasília (DF). O ex-presidente pediu aos movimentos que ocupem o país e se manifestem em defesa da democracia, neste domingo (17), quando o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff será votado na Câmara dos Deputados.

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No entanto, Lula também pediu que, em hipótese alguma, os manifestantes em defesa da democracia aceitem provocações dos "golpistas". “Amanhã pode ter gente que queira nos provocar. Vamos dar o exemplo. A gente não pode aceitar provocação. Está cheio de televisão para dizer mais uma vez que os movimentos sociais, as centrais sindicais, os sem-terra são baderneiros. O que nós somos é trabalhadores! Baderneiros são os que querem derrubar a presidenta Dilma", argumentou.

Segundo ele, o governo, com a ajuda do povo nas ruas, virou o jogo e já tem os votos necessários para barrar o golpe. Entretanto, Lula destacou que, até a votação, é preciso permanecer vigilante. "É uma guerra de sobe e desce. Parece a bolsa de valores. O cara está com a gente uma hora, e em outra não está mais, e você precisa conversar 24 horas por dia para não deixá-los conquistar os 342 votos", justificou.

Ele também agradeceu o empenho de cada um dos presentes ao ato. "Eu queria dizer que o exemplo que vocês estão dando ao país precisa ser dignificado porque é fácil vir fazer um protesto em Brasília e ficar em um hotel, mas é muito difícil ter que ficar quatro ou cinco dias acampado, cozinhando aqui, com condições nem sempre adequadas", destacou.

Mensagem

Secretária especial de Políticas para Mulheres da Presidência, Eleonora Menecucci leu uma mensagem da presidenta, na qual ela agradece o apoio fundamental dos militantes, inclusive aqueles que não apoiam seu governo, mas entendem a importância da defesa da democracia. “O movimento de vocês – que é meu também – é uma manifestação de generosidade de vários setores da sociedade, inclusive daqueles que não apoiam o meu governo”, disse a presidenta na mensagem.

“Vocês sabem que o Brasil e quase todos os países estão vivendo dificuldades econômicas. Sei que nosso governo ainda não atendeu todas as legítimas reivindicações de vocês. Mas tenho certeza de que nosso país tem todas as condições para vencer a crise e continuar crescendo e ampliando nossa política de inclusão social e garantia de oportunidades para todos e todas. Juntos, haveremos de reencontrar a paz e a união necessárias para retomarmos o rumo das mudanças”, disse Dilma.

Os representantes dos movimentos populares ressaltaram que a luta contra o impeachment é só uma parte da batalha e, por isso, pediram que todos continuem nas ruas mobilizados. “Se nós ganharmos, não será o fim do campeonato porque certamente a burguesia tentará utilizar outros mecanismos, inclusive através da Justiça Eleitoral. Se perdermos, ainda haverá outras batalhas no Congresso Nacional", disse João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que integra a Frente Brasil Popular.

Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que integra a Frente Brasil Sem Medo, acrescentou que, ainda que a presidenta Dilma permaneça no cargo, é necessário rediscutir as políticas executadas pelo seu governo. “Nós não queremos discutir só o domingo, mas também a segunda-feira. Porque na segunda-feira, depois de vencermos o golpe, não queremos mais ouvir falar em ajuste fiscal”, afirmou. Para ele, a pauta do governo deverá passar pelas reformas urbana e agrária, democratização dos meios de comunicação, entre outros.

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