Artigo

Temer monta Ministério de corruptos

Além de aprofundar medidas antipopulares, eventual Governo Temer prevê nomeação de aliados de Cunha para ministérios

Curitiba (PR)

,
Cotado para assumir o Ministério das Cidades ou Caixa Econômica, Carlos Marun (PMDB) é um dos deputados que busca amenizar as investigações sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha / Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

A proposta pós-impeachment do eventual Governo Michel Temer, chamada de Uma Ponte para o Futuro, já demonstrou seu caráter antipopular ao propor medidas de arrocho contra os trabalhadores, como o fim da valorização do salário mínimo, mudanças na Previdência, corte de investimentos nas esferas municipal, estadual e nacional, além de outras medidas que atacam a capacidade do Estado de intervir na economia. Nesse sentido, o governo golpista de coalizão de partidos neoliberais já deixa evidente os nomes fortes para o Ministério de Temer, isto é, quem serão os responsáveis por operar seu ambicioso programa de desmonte nacional e destruição dos direitos trabalhistas e sociais. 

A bolsa de apostas de ministeriáveis para Temer tem nomes para todos os postos chaves. O chamado “núcleo duro” do Governo Temer será integrado pelo PMDB, DEM, PSB, PSDB, PP, PR e PSD. Os nomes de José Serra e do ex-ministro Henrique Meirelles foram aventados para uma equipe econômica voltada a implementar o ajuste fiscal que Dilma não conseguiu fazer. Entram nas apostas ainda nomes como o de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo para o Ministério do Desenvolvimento; Nelson Jobim e Ayres Brito para a Justiça e Eliseu Padilha – o operador - para a chefia da Casa Civil ou Secretária Geral da Presidência. Moreira Franco (o pensador), Rodrigo Rocha Loures (assessor), Geddel Vieira de Lima (articulador político), Roméro Jucá (articulações empresariais e capacidade de transitar entre diferentes legendas), Gaudêncio Torquato e Henrique Eduardo Alves (amigos de Temer) também terão posições de destaque na Esplanada. 

Aliados de Cunha

Além destes conhecidos ministeriáveis do eventual Governo Temer, destaca-se a possibilidade de Carlos Marun ir para o Ministério das Cidades ou para a Caixa. Marun é um daqueles que será “cota do Cunha”, um autêntico “pau mandado” para servir aos interesses do PMDB. Sua história? Vamos regatá-la.

Criado no bairro Medianeira, em Porto Alegre (RS), Marun estudou no Colégio Militar e formou-se em Engenharia Civil pela UFRGS em 1982. Em 1984 o torcedor do Internacional estabeleceu-se em Campo Grande – quatro anos depois casou-se com Luciane, também gaúcha. Foi Secretário Municipal de Assuntos Fundiárias na Prefeitura de Campo Grande em 1996, Diretor da Empresa Municipal de Habitação de Campo Grande de 1997 a 2004. Presidente, Associação Brasileira de Cohabs (ABC) e Agentes Públicos de Habitação, 2001-2004. Marun foi vereador em Campo Grande entre 2005 e 2006. Eleito deputado estadual licenciado com 40 mil votos, se licenciou para integrar o governo de André Puccinelli entre 2007-2014, onde foi Secretário de Estado de Habitação e das Cidades de Mato Grosso do Sul, Presidente do Conselho Estadual das Cidades de Mato Grosso do Sul e Presidente do Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Elegeu-se deputado em 2014 e ganhou notoriedade no primeiro ano de mandato por integrar a tropa de choque do presidente da Câmara Eduardo Cunha. Marun foi nomeado para a Comissão de Ética, após organizar a festa de aniversário de Cunha. O empenho de Marun foi notado pelos colegas, que sugeriram que ele fosse indicado a ministro “dos Grandes Eventos”. O deputado ainda foi o autor do requerimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que pode anular a sessão em que foi aprovada a continuidade da investigação contra Cunha, acusado de mentir na CPI da Petrobras. Com a troca do relator do caso, a tropa de choque tentou um pedido de vista, com base na premissa de que se trata de um novo relatório.

Enquanto fiel escudeiro de Eduardo Cunha, Marun buscou amenizar as investigações sobre a existência de contas na Suíça em nome do presidente da Câmara, de dentro da Comissão de Ética. Ele chegou a chamar de “troco" os recursos encontrados pelo Ministério Público da Suíça em contas de Cunha que teriam sido abastecidas com recursos da Petrobras. “Se a Suíça quiser procurar dinheiro em conta lá, tenho certeza que US$ 2 milhões é troco” disse Marun.Jornais noticiaram que Marun chegou a pressionar o vice-presidente Michel Temer, o ameaçando de impeachment em um eventual governo, caso não interceda em favor de Eduardo Cunha. 

Marun sendo cotado para Ministério das Cidades ou Caixa Econômica mostra que, além de seu núcleo duro golpista, o governo Temer será recheado por corruptos de carteirinha, enfim, moralistas em moral a mando de Eduardo Cunha.