Opinião

Quem se lembrou da mãe do juiz?

Na hora do deslize da arbitragem, as mães são as primeiras a serem xingadas

Belo Horizonte

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No final do Mineiro, mães de jogadores e torcedores foram homenageadas / Bruno Cantini / Atlético MG

O último domingo (8) não foi só a data das finais dos campeonatos estaduais, foi também dia das mães. Prestamos nossa homenagem em casa, com flores e abraços e presentes. Muitos times também tiveram iniciativas para festejar a data. Na Holanda, as mães entraram em campo com os jogadores do Ajax. No Ceará, uma missa das mães abriu o jogo no estádio do Vozão. Em Minas Gerais, América e Atlético entraram em campo com faixas de homenagem a elas.

Mães dos jogadores e mães torcedoras foram lembradas. Mas, da mãe dos juízes, quem lembrou? Na hora do deslize do juiz é que se lembram delas. Com mãe não se brinca, mas com a do juiz pode? Não pode não! No dia das mães ou em qualquer outro dia, se for para esbravejar sobre a incompetência da arbitragem, vamos usar outras expressões que não ofendam as mulheres.

Você sabia?

Por décadas, as mulheres foram impedidas de praticar diversas modalidades esportivas no Brasil. Em 1941, um decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas proibia a participação feminina em esportes considerados “inadequados à condição das mulheres”, como o futebol de campo, o futsal e o halterofilismo.  

Em 65, durante a ditadura, o Conselho Nacional de Desportos regulamentou o decreto, proibindo o futebol feminino. A proibição só foi revogada em 1979.