Opinião

O caráter machista e racista do golpe

Somente com o povo na rua conseguiremos inviabilizar este governo ilegítimo

Curitiba

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Muitos defensores do impeachment acreditaram que estavam lutando contra a corrupção. A indicação de sete ministros investigados pela Lava-Jato derrubou esta análise, no mínimo, inocente. / Lula Marques

O pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff é baseado na tentativa de transformar “pedaladas fiscais” em crime de responsabilidade. O argumento não se sustenta e alegorias jurídicas como “conjunto da obra” são usadas para justificar o injustificável.

Este golpe tem caráter racista e machista. Racista, porque a tônica política dos golpistas é contra as políticas públicas, em especial as de transferência de renda que beneficiam a população negra; machista, pelos ataques feitos à presidenta Dilma pelo fato de ser mulher, e também pela defesa midiática que o papel da mulher é ser “bela, recatada e do lar”, rechaçando a presença de mulheres nos espaços de poder.

Governo ilegítimo

Já no primeiro dia de governo, Temer extinguiu os ministérios que construíam políticas para as mulheres, afrodescendentes, direitos humanos, juventudes, cultura e ciência. Em paralelo, institui um ministério de homens brancos, velhos, ricos e conservadores. Já sabemos quem estará na linha de frente na perda de direitos.

Muitos defensores do impeachment acreditaram que estavam lutando contra a corrupção. A indicação de sete ministros investigados pela Lava-Jato derrubou esta análise, no mínimo, inocente. Acharam que, se derrubassem uma presidenta sem crime de responsabilidade, conseguiriam também na sequência derrubar o vice-presidente sabidamente corrupto. Ledo engano. Somente com o povo na rua conseguiremos inviabilizar este governo ilegítimo.

*Juliana Mittelbach é servidora da saúde estadual e diretora da CUT