Serviços públicos

As greves e as ocupações são o maior problema do Paraná?

Entenda como um dos Estados que lidera em arrecadação no país ainda sofre com problemas estruturais

Estudantes sem aula, impostos nas alturas, policiais em greve, hospitais fechados ou com longas filas de espera: os paranaenses estão passando por momentos difíceis. A educação, a segurança pública e a saúde estão dando sinais de que alguma coisa no Estado não vai bem. A grande dúvida agora é: o que anda acontecendo com as finanças? É preciso buscar informações para não cair em falsas explicações. 

Em 2016, o Paraná aumentou a sua contribuição na arrecadação de tributos federais, chegando à sexta posição entre os estados, com uma participação de 4,95% dos R$ 307,3 bilhões arrecadados no País, no primeiro trimestre do ano. O levantamento foi feito pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), com base nos dados da Receita Federal e do portal transparência do governo federal.

Também de acordo com a Tendências Consultoria e a Economist Intelligent Unit, o Paraná ocupa atualmente o segundo lugar no ranking dos estados mais competitivos na busca por investimentos em função de itens como infraestrutura, potencial de mercado e inovação. 

Ao mesmo tempo, o Estado tem apresentado um cenário de serviços públicos sucateados. Na saúde, cada vez mais hospitais e clínicas deixam de atender trabalhadores, por falta de repassa no valor do convênio. Na educação, escolas denunciam falta de merenda adequada e estrutura precária para ensino e aprendizado. 

O governo ainda deve R$ 1,4 bilhões de salários atrasados aos professores e funcionários de escola e ameaça a categoria a não pagar o reajuste anual baseado na inflação e previsto por lei, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP- Sindicato). Soma-se a isso, pelo menos R$ 100 milhões foram gastos com propaganda do governo, segundo informações do Diário Oficial do Estado. 

De acordo com o Ibope, Beto Richa faz governo ruim ou péssimo para 49% dos curitibanos 

Baixa popularidade

Não é a toa que a pesquisa divulgada pelo Ibope, em setembro, tenha constatado que 49% dos curitibanos consideram como ruim ou péssima a atuação do governador Beto Richa. O levantamento foi feito com 805 pessoas na capital.

De acordo com o  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o governo tem a possibilidade de melhorar as condições de vida dos paranaenses. “Apesar das perspectivas pessimistas do governo, a receita do Estado continua crescendo. Dados parciais da receita corrente de agosto deste ano apontam crescimento no mês de 20%. No ano a receita deve crescer até 8%”, explica o economista Cid Cordeiro.

Essas são as principais receitas do Estado, que contribuem significativamente para cobertura das despesas de pessoal e custeio. Outro fator que contribuiu com o aumento da arrecadação foi a venda da folha de pagamento.

Além de todos esses aumentos o governo pretende arrecadar até R$ 2 bilhões com a venda de ações da Copel e da Sanepar, projeto que foi aprovado pela Assembleia legislativa em setembro, assim como o novo pacote de ajuste fiscal. 

Contradição

Com todo esse aumento na receita, o governador Beto Richa insiste em dizer que não tem dinheiro para pagar o atraso de salários, o reajuste do funcionalismo e investir onde a população realmente precisa.

Para a coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES), professora Marlei Fernandes de Carvalho, a situação exige cuidado e apoio da população. “Continuaremos fazendo a defesa em favor dos trabalhadores e da população. Não abriremos mão de direitos de carreira, conquistados através de lutas históricas”. 

A professora ainda afirma que tanto as greves quanto as ocupações ocorrem em um momento político de impasses e são legítimas por apresentar a pauta de resistência da população descontente com tantos compromissos não cumpridos. Segundo ela, é preciso “esforço permanente para fazer um bom debate”. 
 

Editado por: Redação

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