Serviços públicos

As greves e as ocupações são o maior problema do Paraná?

Entenda como um dos Estados que lidera em arrecadação no país ainda sofre com problemas estruturais

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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O governo ainda deve R$ 1,4 bilhões de salários atrasados aos professores e funcionários de escola e ameaça a categoria a não pagar o reajuste anual baseado na inflação e previsto por lei, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP- Sindicato) / Paulo Henrique de Jesus/Mídia Ninja

Estudantes sem aula, impostos nas alturas, policiais em greve, hospitais fechados ou com longas filas de espera: os paranaenses estão passando por momentos difíceis. A educação, a segurança pública e a saúde estão dando sinais de que alguma coisa no Estado não vai bem. A grande dúvida agora é: o que anda acontecendo com as finanças? É preciso buscar informações para não cair em falsas explicações. 

Em 2016, o Paraná aumentou a sua contribuição na arrecadação de tributos federais, chegando à sexta posição entre os estados, com uma participação de 4,95% dos R$ 307,3 bilhões arrecadados no País, no primeiro trimestre do ano. O levantamento foi feito pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), com base nos dados da Receita Federal e do portal transparência do governo federal.

Também de acordo com a Tendências Consultoria e a Economist Intelligent Unit, o Paraná ocupa atualmente o segundo lugar no ranking dos estados mais competitivos na busca por investimentos em função de itens como infraestrutura, potencial de mercado e inovação. 

Ao mesmo tempo, o Estado tem apresentado um cenário de serviços públicos sucateados. Na saúde, cada vez mais hospitais e clínicas deixam de atender trabalhadores, por falta de repassa no valor do convênio. Na educação, escolas denunciam falta de merenda adequada e estrutura precária para ensino e aprendizado. 

O governo ainda deve R$ 1,4 bilhões de salários atrasados aos professores e funcionários de escola e ameaça a categoria a não pagar o reajuste anual baseado na inflação e previsto por lei, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP- Sindicato). Soma-se a isso, pelo menos R$ 100 milhões foram gastos com propaganda do governo, segundo informações do Diário Oficial do Estado. 


De acordo com o Ibope, Beto Richa faz governo ruim ou péssimo para 49% dos curitibanos 


Baixa popularidade

Não é a toa que a pesquisa divulgada pelo Ibope, em setembro, tenha constatado que 49% dos curitibanos consideram como ruim ou péssima a atuação do governador Beto Richa. O levantamento foi feito com 805 pessoas na capital.

De acordo com o  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o governo tem a possibilidade de melhorar as condições de vida dos paranaenses. “Apesar das perspectivas pessimistas do governo, a receita do Estado continua crescendo. Dados parciais da receita corrente de agosto deste ano apontam crescimento no mês de 20%. No ano a receita deve crescer até 8%”, explica o economista Cid Cordeiro.

Essas são as principais receitas do Estado, que contribuem significativamente para cobertura das despesas de pessoal e custeio. Outro fator que contribuiu com o aumento da arrecadação foi a venda da folha de pagamento.

Além de todos esses aumentos o governo pretende arrecadar até R$ 2 bilhões com a venda de ações da Copel e da Sanepar, projeto que foi aprovado pela Assembleia legislativa em setembro, assim como o novo pacote de ajuste fiscal. 

Contradição

Com todo esse aumento na receita, o governador Beto Richa insiste em dizer que não tem dinheiro para pagar o atraso de salários, o reajuste do funcionalismo e investir onde a população realmente precisa.

Para a coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES), professora Marlei Fernandes de Carvalho, a situação exige cuidado e apoio da população. “Continuaremos fazendo a defesa em favor dos trabalhadores e da população. Não abriremos mão de direitos de carreira, conquistados através de lutas históricas”. 

A professora ainda afirma que tanto as greves quanto as ocupações ocorrem em um momento político de impasses e são legítimas por apresentar a pauta de resistência da população descontente com tantos compromissos não cumpridos. Segundo ela, é preciso “esforço permanente para fazer um bom debate”.