ELEIÇÕES

Opinião: Anular o voto é retardar o avanço da história

Votar e cobrar são as únicas ações que nos restam para resistir e continuar lutando por uma sociedade mais justa

Rio de Janeiro (RJ)

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É preocupante quando o voto nulo é sugerido nas redes sociais / Agência Brasil

Nossa cultura eleitoral tem como prática depositar no candidato a solução de todos os problemas. O eleitor vota uma vez a cada quatro anos, depois vai para casa e esquece de cobrar e até em quem votou. Este comportamento vem do sistema colonial, que nos dominou por séculos, estendeu-se pela república e persiste até hoje.

Os partidos nunca foram o foco do eleitor. Votam na pessoa, sem se importar com sua ideologia. A propaganda eleitoral também continua centralizando no candidato. Mas, é bom lembrar que o candidato não é nada sem o partido ao qual ele está filiado. Terá que ser obediente a seu programa e a seus interesses.

É mais preocupante ainda quando vemos nas redes sociais sugestões para anular o voto, na esperança das candidaturas serem anuladas e novos políticos se candidatem. Além de a legislação brasileira não prever essa possibilidade, anular o voto para mudar de candidato não resulta em nada. Afinal é o partido que continuará ditando as prioridades de projetos a serem defendidos na câmara e os acordos por cargos a serem negociados com o poder executivo. A melhor utilização de nosso voto está na escolha do melhor partido possível.

No segundo momento, nosso voto só será útil se exercermos o direito à cobrança. Durante todo o mandato, vamos ter que cobrar do eleito tudo o que ele se propôs a fazer. Não é difícil fazer isto. Temos ao nosso favor a internet. Podemos cobrar através do email, facebook, twitter e telefone do candidato e do partido. Cada cidadão deve estar empenhado nisso.

ANULAR NÃO RESOLVE

Simplesmente anular o voto é retardar o avanço de nossa história. Votar e cobrar são as únicas ações que nos restam para resistir e continuar lutando por uma sociedade mais justa. É um ato de coragem. 

Enquanto uma reforma política de verdade não for realizada, isso não vai mudar. Nos últimos 13 anos tivemos a oportunidade de mudar o sistema político, com um partido dos trabalhadores no poder, e não fizemos. Mas vamos continuar organizando a sociedade e brigando por projetos que transformem a vida da maioria do povo brasileiro.

João Carlos Matheus é líder comunitário