Agricultura orgânica

Estado mexicano de Yucatán se declara livre de cultivos transgênicos

A medida protege os camponeses indígenas da região, segundo o Diário Oficial do estado

Mérida I Yucatán | México

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Variedade de milho, uma das culturas mais afetadas pelos transgênicos no mundo / Wikipedia

Na última quarta-feira (26), o governo do estado de Yucatán (MX) lançou um decreto que libera duas zonas específicas do uso de transgênicos. O estado governado por Rolando Zapata Bello (PRI), é o primeiro na península em tomar essa decisão.

Segundo o Diário Oficial do estado, as razões pelas que se declaram zona livre dos organismos geneticamente modificados (OGM) se deve a diversos fatores, entre eles os riscos que essas substâncias provocam na saúde dos seres humanos.

Os OGMs estão relacionados à incidência de câncer, à poluição do subsolo e do aquífero peninsular, que tem o solo mais permeável, além do dano à economia dos camponeses indígenas, que se sustentam a partir da apicultura (criação de abelhas).

O decreto estabelece que “é necessário aplicar o princípio de precaução ante o dano moralmente inaceitável de ameaça à saúde pela presença de soja transgênica e do uso extensivo de agroquímicos; pelos danos graves e irreversíveis à atividade apícola; e porque é injusto para futuras gerações”.

Além disso, o decreto argumenta que os transgênicos “atentam contra os direitos humanos dos povos maias produtores de milho ou apicultores, contra a comercialização e a industrialização, e contra a propriedade social, assim como o direito humano a um ambiente saudável”.

A partir do decreto, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, junto à Secretaria de Desenvolvimento Rural, terá que promover o uso dos cultivos orgânicos entre os produtores agrícolas. Para isso, a ideia é entregar sementes livres de OGM e capacitar e supervisionar os camponeses sobre o cuidado com os cultivos orgânicos.

Debate

Nos últimos anos, a discussão sobre o uso de transgênicos na península de Yucatán tem ficado mais intensa. No Campeche, por exemplo, as comunidades indígenas têm começado a transformar seu cultivo, mas têm enfrentado os grupos defensores dos OGM, como os menonitas (grupo religioso e étnico que chegou ao país na década de 20 no século passado) e as empresas desenvolvedoras destes produtos, como a Monsanto.

Recentemente, integrantes do coletivo Los Chenes viajaram ao Peru para participar na Conferência Latino-Americana para Doadores de Povos Indígenas, onde denunciaram que o estado mexicano é incapaz de atacar a sentença da Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) vinculada ao cultivo ilegal de OGMs.

Quem tem advertido sobre as consequências do cultivo de transgênicos também alerta que a água da península yucateca é afetada pelos agroquímicos que, segundo as pesquisas da Universidade Autónoma de Yucatán (UAY) em parceria com a Universidade Autónoma de México (UNAM), afetam as mulheres maias. Os estudos realizados determinaram a presença de elementos cancerígenos ligados aos uso de agroquímicos no leite materno e no sangue das mulheres.

Tradução: María Julia Giménez

Edição: Camila Rodrigues da Silva