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Cada golpe com seu emblema de ódio

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Cada ataque deles será respondido com nossa unidade

Há vários elementos comuns que se repetem nos golpes. Em todos os golpes militares a partir da década de 60, tão logo as Forças Armadas assumiam o controle político, destampavam o ódio dos setores conservadores que se voltavam para atacar um objetivo que simbolizava a organização popular. No golpe de 1964, bastou os tanques entrarem na Praia do Flamengo, para vários grupos golpistas já começarem a disparar contra a sede da União Nacional dos Estudantes - UNE, que representava o principal símbolo de tudo que tentavam destruir naquele momento.

Já o atual golpe - o mais aperfeiçoado do século XXI, embora sempre preocupado em dar uma aparência legal aos seus atos - não poderia fugir a mais este item do roteiro. Na sexta feira, dia 4 de novembro, enquanto homenageávamos Carlos Marighella, nos 47 anos em que caiu em combate, a Polícia Civil atacava a Escola Nacional Florestan Fernandes, principal centro de formação de lutadoras e lutadores da classe trabalhadora, que envolve em seu projeto pedagógico jovens de todo o mundo.

O pretexto legal era frágil, como todos os utilizados por este golpe. Os policiais afirmavam ter um mandado judicial, gravado numa mensagem de Whatsapp! Invadiram as dependências da escola armados com fuzis, atirando e agredindo. Como nos lembrou Paulo Moreira Leite, a "brutalidade exibicionista" lembrava o episódio da prisão de Gregório Bezerra, amarrado a um jipe e arrastado pelas ruas do Recife por um delegado de polícia em 1964. Não são repetições casuais da história. O objetivo é gerar medo, intimidar os que estão dispostos a resistir.

E, exatamente por isso, "os tiros saíram pela culatra".

Lembrando Marighella

A lembrança de Marighella neste caso não se limita à data. Assim como o militante baiano soube transformar sua resistência à prisão, no primeiro mês do golpe de 64, num chamado geral de enfrentamento contra a ditadura, a coragem dos que estavam na Escola Nacional Florestan Fernandes, impedindo uma ação ilegal e abusiva da polícia é uma convocação para todos os setores democráticos e populares de que não podemos nos dobrar diante do atual golpe e, principalmente, não podemos ter medo. Cada ataque deles será respondido com nossa unidade.

Atacar a previsibilidade

O roteiro do atual golpe torna-se cada vez mais previsível. Usam todo o seu aparato para destruir ou ao menos inabilitar Lula, impossibilitando que dispute a presidência em 2018. Utilizam as decisões do Supremo Tribunal Federal que, numa verdadeira fúria julgadora, destrói em semanas conquistas que haviam sido asseguradas nas últimas décadas pela Justiça do Trabalho, com a clara intenção de inviabilizar a entrada em cena do movimento operário.

Não podemos aceitar que isso se consume, naturalizar que conseguirão cumprir o roteiro previsível.  Precisamos assegurar que os jovens que ocupam escolas em todo o país não fiquem isolados. Precisamos construir o dia 11 de novembro, como data nacional de lutas. Lutar com todas as nossas forças contra este "Estado de Exceção". E, principalmente, unir amplamente as forças democráticas e populares potencializando a experiência que acumulamos na construção da Frente Brasil Popular, possibilitando seu enraizamento como um espaço que receba todos os que estão dispostos a lutar contra o golpe.    

*Ricardo Gebrim é da direção nacional da Consulta Popular, organização que integra a Frente Brasil Popular.