Feminismo

Fatos Curiosos da História | A luta das mulheres pelo mundo

Alguns fatos da história feminista, em ocasião do aniversário de Angela Davis

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Em 1969, Ronald Reagan pediu à Universidade da Califórnia para demiti-la devido à sua filiação ao Partido Comunista / Wilcker Morais

Nesta edição, o tema é sério: a luta das mulheres pelo mundo. Um de seus últimos episódios aconteceu no último dia 21 de janeiro, quando milhares de mulheres marcharam em diversos países contra as políticas do recém empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Neste dia, um dos momentos mais marcantes foi o discurso da filósofa, professora e ex-pantera negra Angela Davis, que hoje completa 73 anos de vida. E ela que nos inspira no programa de hoje.

Professora, militante feminista e defensora dos direitos civis, ela é uma das principais vozes que analisam as condições de opressão de negros e negras por um viés interseccional. Ou seja, une a discussão das questões de gênero, do racismo e do capitalismo. Ao longo de sua vida, Angela Davis participou do grupo Panteras Negras, do qual saiu quando percebeu que sua composição majoritariamente masculina não dava o devido valor à participação feminina.

Na Marcha das Mulheres contra Trump ela fez um grande discurso.

"Nos próximos meses e anos nós estamos convocadas a intensificar nossas demandas por justiça social e nos tornarmos mais militantes em nossa defesa das populações vulneráveis. Aqueles que ainda defendem a supremacia masculina branca e hetero-patriarcal devem ter cuidado!

Os próximos 1.459 dias da gestão Trump serão 1.459 dias de resistência: resistência nas ruas, nas escolas, no trabalho, resistência em nossa arte e em nossa música.

Este é só o começo. E termino nas palavras da inimitável Ella Baker: 'Nós que acreditamos na Liberdade não podemos descansar até que ela seja alcançada!' Obrigada."

Se, na marcha contra Trump, elas reivindicaram justiça social e igualdade de gênero, além de conquistas atacadas com o avanço do conservadorismo, ao longo da história, são muitos os acontecimentos que preenchem a luta das mulheres por reconhecimento e equidade econômica e de direitos.

Em 1971, por exemplo, aconteceu o "Manifesto das 343" na França. Um jornal francês publicou uma lista de 343 mulheres, entre personalidades e anônimas, que confessavam ter abortado. Elas proclamavam: "O nosso ventre nos pertence". Entre as listadas, estava a filósofa e feminista Simone de Beauvoir. Naquela época, o aborto ainda não era legalizado no país, além de ser um tabu para grande parte da população. Esse texto e outras manifestações abriram caminho para a legalização do aborto no país quatro anos depois, em 1975.

No Oriente Médio, manifestações feministas também fizeram história. Uma delas é a luta das curdas, que ganhou destaque internacional nos últimos anos em função do seu protagonismo no enfrentamento armado contra o Estado Islâmico. Elas constituem o Movimento de Mulheres Livres do Curdistão, que está na linha de frente da luta por democracia e direitos nesta região.

No Brasil, as mulheres também vêm se organizando e debatendo os temas relacionados à igualdade. Uma dessas ações ocorreu em 1985, no Terceiro Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe, realizado em Bertioga, no litoral paulista. Este evento foi considerado um grande marco da organização dos coletivos de mulheres negras e feministas, porque colocou em pauta a necessidade de articular as questões de gênero com questões de raça e classe. Naquele momento, mulheres negras apontaram o que há de diferente e contraditório dentro do movimento das mulheres.

Trinta anos depois, aconteceu a Marcha das Mulheres Negras para Brasília mais recentemente, em novembro de 2015. Mulheres de diversos coletivos, de todos os cantos do país, se reuniram e marcharam juntas, reivindicando a construção de uma outra dinâmica de vida e de ação política no país. Elas exigiam o fim do racismo e do genocídio dos jovens negros e a melhoria do acesso à saúde pelas mulheres negras.

E as mulheres negras do Brasil, assim como as de todo mundo, se inspiram em Angela Davis. 

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Fatos Curiosos da História 



Locução e Produção: Mayara Paixão

Sonoplastia: Adilson Oliveira