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Curitiba: em semana de aumento de tarifa, funcionários do transporte anunciam greve

Paralisação nas empresas Araucária Filial e Transtupi foi motivada por um atraso no pagamento do vale-mercado

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Nove linhas de ônibus não funcionaram hoje pela manhã em Curitiba / PMC/SMCS

Cerca de 1,2 mil trabalhadores das empresas de transporte Araucária Filial e Transtupi paralisaram as atividades na manhã desta quinta-feira (9) para reivindicar o pagamento do vale-mercado, aproximadamente R$ 500,00, que costuma ser pago nas segundas-feiras e estava atrasado. A paralisação dos motoristas e cobradores ocorre na mesma semana em que o prefeito Rafael Greca (PMN) anunciou um aumento de 15% no preço da passagem de ônibus.

Segundo a assessoria de comunicação do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus da Região Metropolitana de Curitiba (Sindimoc), ambas as empresas costumam manter um diálogo franco com os seus trabalhadores, mas não explicaram as razões do atraso. "Diálogo não enche o bolso", afirmou o assessor Gláucio Dias. "A hora que pagar, eles voltam a trabalhar". O Sindimoc ressalta que a paralisação não tem relação com o aumento da tarifa anunciado na última segunda-feira (6).

A Araucária Filial atende, principalmente, linhas do Leste e Sul de Curitiba e da região metropolitana. Ao menos nove linhas de ônibus não funcionaram hoje pela manhã em Curitiba devido à paralisação: Augusta; Campina do Siquera-Batel; Jd. Esplanada; Mossunguê; Nsa; Sra. da Luz; Tramontina; V. Marqueto; V. Sandra e V. Verde. Porém, a greve também interfere no funcionamento de outras linhas, que são compartilhadas pelas empresas Transtupi e Araucária Filial com outras empresas. Por exemplo, o expresso Centenário Campo-Comprido, Interbairros IV, Interbairros V, Inter 2 e Detran-Vicente Machado.

"Absurdo de caro"

Alceu Diniz trabalha como cobrador na empresa Araucária Filial há seis anos, e afirma que os R$ 500,00 referentes ao vale-mercado são pagos nas segundas-feiras pela manhã: "Era pra ter caído na segunda, não caiu ontem também, e aí nós decidimos parar".

Apesar de a paralisação não ter relação direta com o aumento do preço do transporte coletivo em Curitiba, o cobrador entende que o valor estipulado para a tarifa de ônibus, R$ 4,25, não corresponde à qualidade do serviço. "É absurdo de caro. Eu sou do transporte, mas vou dizer: a situação está precária. Tanto em relação à qualidade dos ônibus, quanto em relação aos pagamentos dos funcionários", analisa Alceu, que ressalta que o pagamento em dia dos salários e reajustes dos trabalhadores não pode ser pago pelos cidadãos. "Quem acaba pagando a conta é o usuário do ônibus, porque ele faz parte do cotidiano do morador que não tem carro e depende de transporte público".

As empresas se pronunciaram através da assessoria do sindicato patronal. "O valor foi pago na manhã de hoje", afirma o assessor de imprensa do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), Renan Carreira. "A gente espera que até o final da tarde o serviço já esteja 100% normalizado".

Nenhuma das empresas comunicou ao sindicato os motivos para o atraso nos pagamentos.

Atualização (13h29):

Com a confirmação do pagamento dos vales, os trabalhadores cumpriram a promessa e retomaram as atividades. A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) publicou uma nota informando que está em dia com os repasses de pagamentos aos consórcios que executam os serviços de transporte coletivo. Segundo a nota, a Urbs multará a empresa Araucária, do consórcio Transbus, pelo não cumprimento das tabelas de horários das linhas que circulam em Curitiba. A soma das multas pendentes até hoje equivale a R$ 57 mil.