Cultura e trabalho

Artesã cria acessórios inspirados em personalidades negras

Clementina de Jesus, Liniker e Elza Soares são algumas das mulheres e ícones negros homenageados nas coleções da artesã

Brasil de Fato, Curitiba (PR)

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A experiência começou em 2015 e já é referência em Curitiba / Guilherme Soares

Garçonete, barista, auxiliar de cozinha, manicure. As diferentes experiências de trabalho formal pelas quais Aline Castro Farias passou não deixam saudade. Há um ano e meio, a artesã vive o que classifica como o “sonho de todo o brasileiro”: trabalha em casa, almoça junto com a filha, faz o que gosta e organiza os próprios horários. “Não preciso bater meta, minha meta sou eu mesma”, e compara com os empregos anteriores em que era preciso “se esfolar para dar dinheiro à outra pessoa” - o patrão.

Aline é criadora da “Fuá Acessórios” e transforma materiais recicláveis em brincos, colares, tiras de cabelo e todas a diversidade de adereços. A reutilização dos materiais é inspiração da formação acadêmica em biologia. Mas é do revestimento e da forma do material reciclado que vem a principal marca das peças: tecidos de estampas afro e mega-coloridos. Clementina de Jesus, Liniker e Elza Soares são algumas das mulheres e ícones negros homenageados em suas coleções. “As peças têm um conceito étnico para a minha raça”, explica.


“Não é fácil ser empreendedora no Brasil, se mulher preta empreendedora é ainda mais complicado. Mas resistimos e existimos”, garante Aline (Foto: Juliana Cordeiro) 

 

Os acessórios são para todos os corpos: mulheres, gays, trans, brancas, meninas, e até para héteros – e ri. O diferencial da clientela é outro: “A Fuá não é uma marca só para negras, mas que quer alcançar pessoas ousadas, com atitude e com consciência”. E completa: a força transmitida pelos tecidos étnicos exige “um certo respeito de quem usa”.

Mundo afora

Da casa onde mora com a filha, no bairro Barreirinha, norte de Curitiba, Aline gerencia a página do Facebook por onde compartilha a marca mundo afora, literalmente: por ali, chegam encomendas de outros países e de vários estados brasileiros. As trocas de mensagens vão para além da negociação de compra e venda. “Já recebi mensagens de pessoas de outras cidades dizendo que se inspiram no meu trabalho para ganhar um dinheiro na sua cidade”, relata.

Em 2016 a experiência virou tema de uma oficina com homens e mulheres em situação de rua, em um projeto ligado à Economia Solidária – uma concepção de economia baseada na gestão coletiva e na autonomia, com o horizonte do desenvolvimento comunitário e da superação das desigualdades sociais. “Além do empoderamento da nossa raça, tem o empoderamento financeiro para outras pessoas”.

Edição: Pedro Carrano