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Greve geral paralisa o PR; manifestantes sofrem repressão policial em Ponta Grossa

Em Ponta Grossa, três pessoas foram detidas e uma fotógrafa foi derrubada por um policial e teve equipamento danificado

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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De acordo com estimativas da organização, 200 mil pessoas participaram de mobilizações em todo o estado / Gibran Mendes

Mais de 90 categorias de trabalhadores do Paraná aderiram à paralisação contra as reformas trabalhista e previdenciária do governo golpista de Michel Temer (PMDB), nesta sexta-feira (28). Cerca de 200 mil pessoas participaram de mobilizações e pelo menos 400 aderiam à greve em todo o estado, de acordo com estimativas da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR).

Em Curitiba, terminais de transporte público, ruas e praças estavam completamente vazias no início da manhã, devido à adesão dos trabalhadores do transporte coletivo à greve geral. Apenas carros transitavam pela cidade. Enquanto isso, em pontos diversos da capital, movimentos sociais e organizações sindicais promoviam atos e protestos localizados. Segundo a organização, 30 mil pessoas participaram da marcha que partiu do Centro Cívico, passou pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e seguiu até a Praça Tiradentes, onde houve o encerramento, perto das 14h.

Em Ponta Grossa, uma marcha pacífica reuniu cerca mil de pessoas, mas ficou marcada pela repressão policial. Manifestantes sofreram agressões por parte da Polícia Militar e do Batalhão de Choque, em frente ao Terminal Central. Uma fotógrafa foi derrubada por um policial e teve seu equipamento danificado. Três pessoas foram detidas, entre elas um dos repórteres fotográficos integrantes do projeto de extensão da Universidade estadual de Ponta Grossa (UEPG), o Lente Quente. O estudante foi liberado logo em seguida. Veja o registro fotográfico feito pelo projeto Lente Quente.  

(João Guilherme Castro / Lente Quente) 

O ato reuniu professores e servidores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da educação pública do estado, servidores da saúde estadual, metalúrgicos, além de integrantes do Fórum em Defesa da Previdência. A marcha saiu da Praça Barão de Guaraúna em direção ao Parque Ambiental da cidade.

Em Londrina, no norte do Paraná, cerca de 20 mil pessoas participaram da manifestação. Segundo a organização do evento, categorias de 32 sindicatos paralisaram totalmente as atividades. Os trabalhadores do transporte coletivo aderiram à greve e mantiveram os ônibus nas garagens durante toda manhã. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Londrina, as linhas voltariam a circular a partir das 12h.

Petroleiros e petroquímicos paralisam as plantas da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) e Fafen Fertilizantes e trancaram a rodovia BR 476, em Araucária, região metropolitana de Curitiba. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (Simec) realizou assembleia na frente da planta da Volvo caminhões.

No Oeste e Sudoeste, diversas manifestações foram registradas ao longo do dia em dezenas de municípios das regiões, de Guaíra a Pato Branco. O agricultor Paulo Czekalski, integrante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pérola do Oeste, destacou a importância dos trabalhadores se unirem para barrar as reformas do presidente Michel Temer. "Estamos vivendo um ataque muito grande aos nossos direitos que estão na Constituição de 1988. O país todo está em luta e nós, aqui na região, queremos dialogar com a sociedade, com o comércio e com aquele trabalhador que ainda não tem noção da perda de seus direitos".

Já em Laranjeiras do Sul, cerca de 300 trabalhadores sem terra trancam a BR 159, no trevo de acesso à Universidades Federal da Fronteira Sul (UFFS). O ato começou por volta da 9h e encerrou por volta das 16h.

Em Campo Largo, o roteiro dos dirigentes começou na Praça do Museu (Rua Marechal Deodoro), às 8h. Na metade da manhã, uma multidão percorreu a Rua Domingos Cordeiro, Rua Centenário, Rua Barão do Rio Branco e retornou à Praça do Museu. Durante o dia, foram feitas atividades de conscientização com os moradores.

No litoral do estado, no município de Pontal do Paraná, a PR 407 foi parcialmente interditada por diversas categorias de trabalhadores e coletivos de juventude que aderiram à greve geral. Em Paranaguá, houve uma manifestação que iniciou na frente do Porto e seguiu em carreata até a Praça Central, entre 6h30 e 14h, da qual participaram petroleiros, metalúrgicos, professores, estudantes, vigilantes, portuários, rodoviários, trabalhadores dos ramos da saúde e alimentação. O Porto de Paranaguá também teve atividades paralisadas.

Petroleiros da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, decidiram participar da manifestação regional, realizada no município de São João do Triunfo. Lá, se reuniram com professores, trabalhadores rurais e militantes de movimentos sociais, bem como metalúrgicos da cidade de Ponta Grossa. O protesto reuniu cerca de mil pessoas e bloqueou o trevo da PR 151 por aproximadamente duas horas.

*A cobertura colaborativa do Brasil de Fato Paraná da greve geral no estado foi feita por: Ariel Taveres, André Chaves, Carolina Goetten, Davi Macedo, Diangela Menegazzi, Diego Sanches, Ednubia Ghisi, Gibran Mendes, Franciele Petry, Julio Carignano, Jéssica Cruz, Jaine Amorin, Luciano Palagano, Pamela Oliveira, Pedro Carrano, Saori Honorato, Regis Luís Cardoso, Vanda Moraes.



 

Edição: Diangela Menegazzi e Ednubia Ghisi