Violência

Cerca de 320 mil jovens foram assassinados em dez anos no Brasil

Para presidenta do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, números refletem "recrudescimento da vitimização de jovens"

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Taxa de homicídio entre jovens de 15 a 29 anos é o dobro da nacional / Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 10 anos, quase 320 mil jovens brasileiros tiveram a vida interrompida precocemente em casos de homicídio. Em 2015, após um aumento de mais de 17% com relação a 2005, eles foram mais da metade das vítimas registradas no país, de acordo com o Atlas da Segurança Pública, divulgado nesta segunda-feira (4).

O número fez com que a taxa de homicídios na faixa etária dos 15 aos 29 anos se consolidasse como o dobro da taxa brasileira, e considerando-se apenas os jovens homens, chegou a quase 114 vítimas para cada 100 mil habitantes.

A presidenta do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, explica que, além da tragédia, essas mortes representam uma perda anual de 1,5% do PIB brasileiro:

"Se um avião caísse por dia no Brasil, é uma comparação factível para a gente pensar o número de pessoas assassinadas por dia. Agora imaginem que esse boeing 737 tem mais da metade dos passageiros formados por adolescentes e jovens de 15 a 29 anos. É disso que a gente está falando sobre uma juventude perdida, sobre a gente estar matando o nosso futuro. E esse é um processo que tem piorado com o tempo, e não o contrário. Então, desde os anos 80 a gente tem um processo de recrudescimento da vitimização de jovens"

A publicação defende que o índice alarmante está relacionado com a falta de oportunidades para os jovens de regiões periféricas que acabam empurrados para a criminalidade.

O pesquisador do Ipea Daniel Cerqueira defende que o governo brasileiro implemente uma estratégia nacional de prevenção de homicídios, que combine o reforço de ações de cidadania com mudanças na atuação policial:

"Em vez de ser a polícia truculenta, que ofende direitos, que eventualmente mata e morre muito, e que funciona simplesmente na base do policiamento ostensivo, deve ser baseada na inteligência e na informação. E o segundo pilar é fazer prevenção focalizada: aquela criança, aquele garoto desamparado que, sem oportunidade laborais e educacionais vai se envolver em uma trajetória na direção do crime. Então a gente tem que agir preventivamente"

O Atlas da Segurança Pública também apontou aumento de 25% nas mortes provocadas por arma de fogo, que representaram em 2015 mais de 70% de todos os homicídios. Em 11 estados do Brasil, esse aumento foi superior a 100%, passando de 300% no Rio Grande do Norte.

Edição: Radioagência Nacional