Violência

Após 40 dias do massacre, mais um trabalhador rural é morto em Pau D'Arco

Em maio, dez trabalhadores rurais foram executados pela polícia da região no mesmo local

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Placa homenageia os 19 sem-terra mortos em Eldorado de Carajás, em 1996 / Lilian Campelo

Um trabalhador rural foi morto na luta por reforma agrária no assentamento da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D'Arco, sul do Pará. Rosenildo, que era chamado por todos de Negão, foi morto com três tiros na cabeça na noite de sexta-feira (7).

O local foi palco de um massacre contra trabalhadores rurais há cerca de 40 dias. Em 24 de maio, dez trabalhadores rurais foram executados pela polícia na fazenda. As mortes de nove homens e uma mulher ocorreram durante uma operação policial. Para continuar a luta por terra, Rosenildo e outros companheiros estavam novamente acampados no território. Havia informações de que ele é outras três lideranças do acampamento estavam marcadas para morrer. As informações são da ONG Justiça Global.

Ainda de acordo com a ONG de direitos humanos, após receber ameaças, Rosenildo foi à cidade de Rio Maria para passar o fim de semana fora do acampamento. A ideia era se reunir com a Liga dos Camponeses Pobres para decidir que medidas iriam tomar. Organizações e movimentos já estão se mobilizando para cobrar uma ação urgente do Estado sobre o caso.

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) articulação composta por diversas organizações e movimentos da sociedade civil ressalta em nota que afirma o assassinato é fruto da omissão do governo federal e do governo do Pará em relação ao Massacre de Pau D`Arco. "Após a morte de dez companheiros, os camponeses voltaram a ocupar área próxima a fazenda Santa Lúcia exatamente para que as mortes não tivessem sido em vão. Sua luta pela reforma agrária, todavia, não teve nenhum suporte nem antes e nem depois do crime.O Estado do Pará até hoje não tomou nenhuma medida no sentido de garantir a vida de trabalhadoras e trabalhadores rurais ou para superar o conflito. Foi necessária a entrada da Polícia Federal para a realização de uma investigação mais isenta e rigorosa, já que as mortes ocorreram em uma ação de policiais militares e civis". diz a nota. 

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a violência no campo cresceu 26% de 2015 a 2016, e o massacre de Pau D'Arco tem muitas semelhanças com o de Carajás, que ocorreu em 1996 e vitimou 19 trabalhadores rurais sem-terra na mesma região do Pará.

Edição: Anelize Moreira