VERDE E ROSA

Nelson Sargento, forte e destemido aos 93 anos

Um dos grandes compositores do samba, artista completou 93 anos recentemente

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Nelson Sargento é presidente de honra da Mangueira / Divulgação

Não é exagero, porém assumindo o risco do clichê, afirmar que Nelson Sargento é um dos grandes compositores do samba. O gosto infantil pelo samba nas ladeiras do Salgueiro, amadureceu no morro da Mangueira. Lá, adotado pelo compositor Alfredo Português, cantou com Carlos Cachaça, compôs com Cartola, brincou com Geraldo Pereira, escreveu com Alfredo Português e bebeu com Nelson Cavaquinho. Viveu todas as fases do samba: viu o samba ser perseguido, assistiu à sua redenção, foi homenageado por escolas de samba e cantou nos grandes palcos do país.

Foi no bar Zicartola, de D. Zica e Cartola, que sua carreira artística alavancou. Ponto de encontro dos bambas no início da década de 1960, o Zicartola era frequentado por Zé Kéti, Silas de Oliveira, Elton de Medeiros, Tom Jobim, Nara Leão, Paulinho da Viola e tantos outros. Verdadeiro fermento da música, ali naquele sobrado da Rua da Carioca, no Centro do Rio, Nelson Sargento recebeu o convite para participar do histórico grupo Rosa de Ouro e do espetáculo A Voz do Morro.

Presidente de honra da Mangueira, Nelson Sargento compôs os sambas-enredo campeões de 1949 e 1950, porém o mais conhecido mesmo foi o de 1955, “Cântico à natureza”, tido até hoje como um dos mais belos sambas-enredo do carnaval carioca e que legou à escola o vice-campeonato.

Musicou a exploração da mais-valia

Todo sambista é um cronista social, e Nelson não foge à regra. Retratou a vida no morro, cantou o amor e em composição conjunta com Cartola e Alfredo Português musicou a exploração da mais-valia em “Samba do Operário”: Se o operário soubesse/reconhecer o valor que tem seu dia/por certo que valeria/duas vez mais o seu salário. A letra do samba foi escrita em um 1º de maio, dia do trabalhador.

Seu grande amor foi a defesa do samba que “agoniza mas não morre”. Forte e destemido, aos 93 anos, Nelson segue cantando "nas esquinas, no botequim e no terreiro"… que sua luta não termine e que o samba nunca morra.

Edição: Vivian Virissimo