Mobilização

Servidores da Educação do Paraná fazem greve por direitos e pela qualidade do ensino

Enquanto professores se mobilizam, governador está em viagem na América do Norte

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Caravanas de todas as regiões do estado compuseram as cerca de 5 mil pessoas presentes no ato / Fotos: Gibran Mendes

A Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico de Curitiba, recebeu mais uma vez professores e funcionários de escolas públicas do Paraná, em greve por direitos e também por educação de qualidade. Nesta quarta-feira (30), caravanas de todas as regiões do Paraná compuseram as cerca de 5 mil pessoas presentes no ato, conforme estimativas do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Paraná (APP-Sindicato), organizador da ação.  

O ato ocorre em um contexto de queda de braço entre o funcionalismo público e o governo estadual. “Faz um ano e meio que os servidores não recebem a reposição da inflação. Nós estamos nas ruas por mais concursos públicos, por melhoria na qualidade da educação, por mais infraestrutura das escolas. Porque todas essas são violências que o governado Beto Richa pratica contra a educação pública do Paraná”, disse Luiz Fernando Rodrigues, secretário de comunicação da APP-Sindicato.  

Para não esquecer  

Professores e funcionários de escolas aposentados estiveram à frente da marcha desde a Praça Santos Andrade até a Nossa Senhora de Salete, passando pela Tiradentes. Muitos deles traziam na memória o episódio ocorrido 29 anos atrás, no 30 de agosto de 1988, quando o então governador Álvaro Dias (hoje senador) usou a Cavalaria da Polícia Militar, bombas de efeito moral e balas de borracha contra professores em greve.  

Mais recente, o massacre de 29 de abril de 2015 também foi relembrado como motivo de luto para a categoria - 213 pessoas ficaram feridas e outras 50 foram hospitalizadas. “Fica o nosso repúdio, para dizer que jamais esqueceremos e que nós queremos que isso nunca mais aconteça”, enfatizou Rodrigues, referindo-se às duas ações violentas do Estado.  

Precarização do serviço público  

No início de agosto, um novo pacote passou a tramitar em regime de urgência com a proposta de economizar R$ 100 milhões anuais a partir de alterações e cortes nos direitos dos servidores. Uma das medidas do pacote congela diversas gratificações por limitar os reajustes ao salário base de cada contratado. O governador do Paraná também suspendeu, por um período de três anos, a realização de concursos públicos para contratar bombeiros e policiais.  

Governador no exterior 

Enquanto servidores se mobilizam contra os retrocessos, a postura típica do governador Beto Richa (PSDB) é se afastar da confusão. Ele embarcou na noite do dia 23 de agosto para uma viagem aos Estados Unidos e Canadá, de onde retorna no dia 31.   

Essa não é a primeira vez que Richa se afasta do governo em momentos de instabilidade política. Em março de 2014, no ápice de uma crise provocada pela greve de motoristas e cobradores de ônibus, tirou férias dois meses após o período de descanso anterior. Em junho de 2015, ele viajou para Londres na mesma época em que lançava um pacote de medidas de ajuste fiscal, nas quais propunha 11 cortes em direitos dos servidores estaduais. 

Operação Quadro Negro 

Em meio a ataques aos servidores da educação por parte do governo do estado, no início de agosto o Ministério Público estadual (MP-PR) moveu sete processos judiciais para condenar 17 pessoas envolvidas em um sistema de corrupção colocado em prática em escolas públicas.  

O esquema, investigado na chamada Operação Quadro Negro, apurou desvios de recursos que ultrapassam o valor de R$ 20 milhões. Esse dinheiro seria destinado à construção e à reforma de sete escolas, mas a maior parte dos serviços contratados não foi cumprida. Entre os acusados de participação nos crimes, estão nomes ligados ao governo estadual e à construtora responsável pelos serviços. 

Edição: Ednubia Ghisi