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Encontro no Maranhão reúne 700 representantes de populações tradicionais do Cerrado

Indígenas, geraizeiros, quilombolas e quebradeiras de coco trocam vivências no evento que começou nesta quarta

Brasil de Fato | Balsas (MA)

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Encontro dos Povos e Comunidades do Cerrado vai reunir, do dia 27 a 30 de setembro, a diversidade das populações do cerrado / Thomas Bauer/CPT

Apesar do cansaço acumulado por dois dias de viagem, Leodilna Lima dos Santos comemora a abertura do Encontro Nacional dos Povos do Cerrado, ocorrida na noite desta quarta-feira (27), no município de Balsas (MA). Ela passou por três estados para ir de Canabrava do Norte, no Mato Grosso, até o Centro Guadalupe, onde é realizado o evento. 

Ela é uma das 700 pessoas que participam do encontro, entre indígenas, camponeses, geraizeiros (populações tradicionais que vivem no cerrado), quilombolas, quebradeiras de coco e outras populações tradicionais da região. Os representantes das comunidades vêm de pelo menos nove estados: Maranhão, Rondônia, Minas Gerais, Bahia, Goiás, Tocantins, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul.

Para Leodilna, que é presidente da Associação de Mulheres Agricultoras (Amas), a troca de experiências é o ponto mais importante do encontro: "Cada estado tem uma realidade, mas se a gente vê com um olhar carinhoso, a gente vê que a luta é uma só: é por terra, é por água. Então, vale a pena, pela luta, para conhecer pessoas e as realidades diferentes". 

Nos três dias de encontro serão apresentadas 15 experiências de vida e resistência de comunidades que vivem no cerrado.

O intercâmbio entre as comunidades também foi o que motivou Josefina Lopes Santos a participar do evento. Moradora de Capitão Enéas (MG), ela está à frente de uma nova iniciativa para reflorestamento de áreas desmatadas no município. Josefina busca conhecer experiências que possam ajudar seu coletivo, que ainda vai completar um ano. 

"O grupo é novo e tem gente aqui que tem uma caminhada muito maior do que eu nesta área. Então, acredito que vou aprender muito, levar muita coisa boa daqui para lá. E o que também eu puder passar, também vou contribuir", disse. 

O fortalecimento da identidade dos povos do cerrado é um dos objetivos do encontro, explicou Paulo César Moreira Santos, membro da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), uma da organizações à frente do evento. "Discutir identidade é discutir o sentido da vida destas comunidades. Sem o campo, sem o cerrado, sem a cultura que é criada ali, a espiritualidade que é criada ali, esses povos não conseguem sobreviver. Então, eles têm que lutar para reafirmar sua identidade", afirmou. 

Neste ano, a novidade é a Romaria Nacional do Cerrado, que acontecerá no sábado (30). Com o lema "Cerrado: os povos gritam por água e território livres”, a caminhada vai discutir os impactos do agronegócio e do desmatamento nas bacias hidrográficas.

"A gente sabe que rios estão secando, muita água envenenada por agrotóxicos por causa de todo esse processo que o agronegócio tem provocado. Tudo isso provoca e produz um êxodo rural muito forte. A violência contra os territórios e a violência contra as comunidades têm tirado essas comunidades do campo. Isso aliado a este momento que a gente vive, de golpe, e toda a uma política que tem sido implantada que não só fragiliza o campo, mas que é contrária à agricultura familiar",ressalta o coordenador.

Edição: Vanessa Martina Silva