Jornada

MST ocupa Ministério do Planejamento em Brasília contra cortes na reforma agrária

Incra de São Paulo e fazenda improdutiva no Mato Grosso também foram ocupadas

Ministério do Planejamento, em Brasília, amanheceu ocupado por cerca de mil trabalhadores.
Ministério do Planejamento, em Brasília, amanheceu ocupado por cerca de mil trabalhadores. | Crédito: Divulgação MST

Em Brasília, cerca de 1000 trabalhadores rurais sem-terra ocupam nesta terça-feira (17) o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. A mobilização denuncia o desmonte da política de Reforma Agrária e cobra restituição de seus orçamentos.

“É o Ministério do Planejamento que detém todo o poder de distribuir todos os recursos para o Brasil, para esse governo. E nós estamos aqui hoje para pedir isso, para que o orçamento de 2018 esteja contemplado na nossa pauta”, afirma Marina Ricardo Nunes, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). 

O atual projeto de lei orçamentário de 2018 corta de forma abrupta o orçamento de diversas políticas públicas para a reforma agrária e agricultura familiar.

“Mas o que nós temos visto ultimamente é que todos os recursos estão indo para o grande latifúndio, para bancada ruralista, para o agronegócio. E pra reforma agrária, tudo é retirado”, complementa Marina.

Enquanto que em 2015 foram destinados 800 milhões de reais para desapropriações, a previsão é que para 2018 esse valor caia para 34 milhões, ou seja, um corte de 86,7%.

Políticas relacionadas à infraestrutura de assentamentos rurais e habitação também sofreram sérios cortes. Segundo dados do Projeto de Lei Orçamentária para o próximo ano, os cortes chegam a 69% no caso da infraestrutura. O orçamento do Minha Casa, Minha Vida faixa 1, que atende famílias rurais com renda de até R$ 1800, está zerado.

Já para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) estão previstos cortes de mais de 99%. De acordo com Atiliana Brunetto, da coordenação nacional do MST, esta é uma das principais políticas de compra de alimentos produzidos pelas famílias agricultoras. "Isso afetará gravemente a comercialização, a produção, a vida das famílias da agricultura familiar do Brasil."

Jornada de Lutas de Outubro

O segundo dia da jornada de lutas do MST amanheceu com uma série de mobilizações em todo o país. Cerca de 400 famílias ocuparam a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Paulo. Outras 300 famílias ocuparam a “Fazenda Três Barras”, no município de Dom Aquino no Mato Grosso. De acordo com o MST, esta é uma área improdutiva de quase 5mil hectares. O Incra de Belo Horizonte, capital mineira, e de Porto Alegre, no Rio Grand do Sul, também foram ocupados. Em Curitiba cerca de 2 mil camponeses marcham pelo centro da cidade rumo a superintendência do Incra.

A mobilização teve início na madrugada desta segunda-feira (16), quando cerca de 800 famílias ocuparam o Incra, na capital paraibana, João Pessoa. Os estados do Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Goiás, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas, além do Distrito Federal, também amanheceram com ocupações.

A Jornada de Lutas de Outubro exige a recomposição da verba para as áreas agrícola, ambiental e de proteção aos povos tradicionais e envolve ainda centrais sindicais e outros movimentos do campo. Os trabalhadores pretendem continuar mobilizados nas diferentes regiões do país à espera de uma posição sobre suas reivindicações.

Editado por: Luiz Felipe Albuquerque

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