DIREITOS HUMANOS

Movimentos brasileiros se mobilizam na Suíça contra ataques das transnacionais

Campanha ocorre em paralelo à rodada da ONU que discute tratado sobre as transnacionais e os abusos contra os DH

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Mulheres na coletiva da imprensa da Campanha Global Desmantelar o Poder Corporativo e Colocar Fim à Impunidade, realizada nesta segunda (23) / Reprodução/Twitter @Soltrumbo

Representantes de movimentos populares brasileiros, como o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) estão reunidos em Genebra, na Suíça, para participar do evento organizado pela Campanha Global "Desmantelemos o Poder Corporativo e Coloquemos Fim à Impunidade". A denúncia da atuação das transnacionais e o impacto nas comunidades foi um dos eixos abordados pelos movimentos.

Tchenna Maso, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Via Campesina, apresentou, durante coletiva de imprensa da campanha global, que, somente em 2016, dezenas de camponeses foram assassinados devido aos conflitos de terra ocorridos em meio a ações de interesse das transnacionais.

"No Brasil, 64 camponeses morreram devido às ações das transnacionais. Quantos mais precisarão morrer para regular o poder das transnacionais? Então é preciso que se olhe para esse documento com muita seriedade, porque ele expressa nossas lutas", afirmou.

A coletiva ocorre em frente ao Palácio das Nações, local em que ocorre a reunião do Grupo Intergovernamental do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que deu início, nessa segunda-feira (23), à terceira rodada para negociação de um tratado legalmente vinculante sobre as transnacionais e suas violações aos direitos humanos, que trata, pela primeira vez, sobre o conteúdo de um novo acordo. Os representantes dos países estarão reunidos até sexta-feira (27).

Para as organizações que lutam por justiça e pelo fim da impunidade das empresas, este é um momento histórico. Portanto, os movimentos populares, representantes de cerca de 200 organizações de todo o mundo e de comunidades afetadas diretamente pelas atividades das empresas transnacionais realizam esse evento paralelo para pressionar a adoção do tratado vinculante.

Na ocasião, Tchenna Maso apresentou a proposta dos movimentos populares para as negociações. Ela reforçou que a história dos movimentos frente às transnacionais nos territórios onde vivem é uma luta com muitas histórias e com muita dor causada pela perda de militantes assassinados.

"É preciso que se olhe para esse documento aqui, com as milhares de histórias daqueles que não puderam chegar até aqui", defendeu.

Os movimentos que organizam a campanha Global "Desmantelemos o Poder Corporativo e Coloquemos Fim à Impunidade" realizarão, durante toda a semana, diversos debates e mobilizações na cidade de Genebra para dialogar com a sociedade e reforçar a pressão para aprovação do tratado. 

*Com informações da Radio Mundo Real.

Edição: Vivian Neves Fernandes | Tradução: Luiza Mançano