Educação

“Governo contingenciou 60% do orçamento do ensino técnico”, relata diretor de IF

Caravana Lula por Minas defende interiorização do ensino técnico e superior

Brasil de Fato | Araçuaí

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Lula tira foto com estudantes do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais / Mídia Ninja

O quarto dia da Caravana Lula por Minas Gerais começou cedo, com uma visita ao Campus do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, em Araçuaí, nesta quinta-feira (27). Mais uma vez, foram ouvidos depoimentos de pessoas que tiveram suas vidas mudadas graças a realizações dos governos petistas. 

No ato com o ex-presidente, três alunos relataram suas experiências de fazer o ensino técnico na própria região. O destaque foi Mariluce Pereira de Jesus, de 15 anos, que é de uma família humilde e estuda para ser Técnica de Informática. A aluna contou que, além do que vem aprendendo na sala de aula, a escola ajudou-a a criar consciência política. “E temos que agradecer ao presidente Lula por podermos ter acesso ao estudo gratuito e perto de casa”, disse. 

O diretor geral do Campus Araçuaí, Aécio Miranda, afirmou que a existência do Instituto só foi possível graças à convicção de Lula: “Ele colocou como prioridade realizar a expansão e principalmente a interiorização da rede de escolas técnicas no país”. Miranda valorizou ainda a política de inclusão que foi implementada junto com as escolas. “Houve uma preocupação para dar oportunidade para os campesinos, os indígenas, os negros. Segmentos que estavam excluídos da educação formal”, acrescentou. 

O diretor mostrou-se preocupado com o futuro do Instituto em Araçuaí e outros centros no país. “O investimento vem caindo muito. Neste ano, o contingenciamento girou em torno de 60%”, criticou. “Se não voltarmos a ter verba para custeio e necessidades básicas, corremos o risco de vivermos um retrocesso enorme no ensino técnico do país”.

O ex-presidente Lula discursou dentro do Instituto e logo, improvisadamente, em cima de um carro de som numa aglomeração de alunos na porta do local onde estava. Comentou que o lugar que gosta mais de visitar são os centros de ensino. “Saio daqui cada vez mais esperançoso com o futuro do país. O que tínhamos antes do nosso governo era uma capacidade desperdiçada. E uma escola como essa é uma oportunidade”, disse. Para ele, uma escola técnica numa região como o Vale do Jequitinhonha é o que o Estado tem obrigação de oferecer. “Os governos têm que parar de ver as verbas para a educação como gastos e passar a ver como investimento. Não existe outra saída para o Brasil”.

Referendo contra retrocessos 

Lula voltou a se comprometer com a realização de um referendo revogatório para que a população possa analisar as leis aprovadas durante o período do governo Temer, como a PEC do teto dos gastos públicos. “Se o PT voltar a governar o país vamos voltar a investir em educação e voltaremos aqui para inaugurar uma universidade em Araçuaí”, prometeu. 

A secretária de educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, afirmou que é impossível pensar em ensino técnico sem destacar os governos Lula e Dilma, já que antes não havia investimento na educação profissional. “Para nosso estado, foi importantíssimo, pois conseguimos descentralizar o ensino, não só com os institutos federais, mas com a criação de institutos multi-campi e com uma oferta expressiva de vagas pelo Pronatec”, disse.

Macaé defendeu a importância da agenda da educação profissional: “ela leva em conta as diferenças territoriais do nosso estado e a gente pode ter cursos de formação que dialogam com os arranjos produtivos de cada região”. Assim como o diretor do Instituto, a secretária também mostrou preocupação com a situação do setor na conjuntura atual. “A educação profissional sofreu um grande golpe com o golpe no país, porque a gente viu o corte de praticamente todo o financiamento do Pronatec, em especial para os cursos profissionais do ensino médio”, lamenta. 

A equipe do Brasil de Fato está acompanhando minuto a minuto a caravana de Lula em Minas Gerais.

* A cobertura da caravana "Lula pelo Brasil" é realizada por meio da parceria entre Brasil de Fato, Mídia Ninja e Jornalistas Livres

Edição: Mauro Ramos