CRISE

Honduras | Candidato, Nasralla exige recontagem de votos por tribunal internacional

O candidato à presidência denuncia envolvimento do TSE de Honduras na fraude eleitoral denunciada pela população do país

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Manifestantes exigem recontagem de votos e pedem a saída do presidente Juan Orlando Hernández (JOH) / Resumen Latinoamericano

Candidato à presidência de Honduras pela Aliança Opositora, Salvador Nasralla, solicitou que um tribunal internacional faça a revisão das atas eleitorais do país por considerar que o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) de Honduras perdeu a sua legitimidade. O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (06).

"Não podemos nos basear somente em uma parte e seguir com o mesmo árbitro. O árbitro se chama TSE e está desqualificado para continuar. Não podemos ter eleições com credibilidade com esse grau de inconsistência", disse.

A fala de Nasralla se refere ao atraso na divulgação da contagem de votos e nas incoerências apresentadas durante todo o processo eleitoral. Durante a coletiva, o candidato também denunciou que nas últimas 72 horas foram descobertas inúmeras irregularidades cometidas desde o início da apuração dos votos.

Nasralla, que era considerado o candidato eleito nas eleições realizadas no dia 26 de novembro, reafirmou sua vitória, apesar da contagem divulgada pelo TSE atribuir a vitória ao atual presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández.

"Eu não ganhei por apenas 5% dos votos na contagem feita no domingo, eu ganhei por cerca de 12% ou 15% de diferença. Ou seja, houve um roubo na contagem dos votos. O povo quer saber a verdade", assegurou.

O candidato também agradeceu a participação dos observadores internacionais e ressaltou que, sem o trabalho realizado por eles, Honduras "seria a própria lei da selva". "A presença dos observadores diminuiu o nível de violência que podíamos esperar diante das arbitrariedades", disse.

Nessa semana, a Missão de Observação Eleitoral (MOE) da Organização dos Estados Americanos (OEA), após visita ao país, emitiu um relatório parcial sobre as últimas eleições, no qual informou que puderam identificar "as faltas de garantias e transparência, assim como o acúmulo de irregularidades, erros e problemas sistêmicos que rodearam o processo eleitoral, em sua etapa prévia, durante as eleições e após as eleições, o que impede à missão ter certeza sobre os resultados".

A OEA recomendou, inicialmente, o cotejo e a revisão das atas eleitorais que apresentam inconsistências. Entretanto, no comunicado emitido pela organização, declararam que, caso não seja possível oferecer certeza e segurança na recontagem, "a Missão se reserva o direito de realizar recomendações adicionais que considere pertinentes (…), sem descartar a possibilidade de recomendar um novo chamado às eleições para garantir que corrijam todas as fraquezas identificadas no processo que deram lugar às irregularidades graves detectadas".

Além dos movimentos populares do país centro-americano, manifestantes de diversos países do continente, entre eles, Argentina, Costa Rica e Uruguai, têm saído às ruas para denunciar as fraudes nas eleições. 

Na última sexta-feira (1), governo hondurenho anunciou a suspensão de direitos constitucionais durante dez dias, através da imposição de um toque de recolher das 18h às 6h. A medida foi anunciada em cadeia nacional, pelo secretário coordenador-geral do governo, Jorge Ramón Hernández. Ele afirmou que os motivos da medida são os protestos populares que começaram depois das eleições presidenciais.

Nas horas seguintes ao anúncio do toque de recolher foram divulgados vídeos de repressão contra os manifestantes. Durante essa semana, como informa o Comitê de Familiares de Detidos e Desaparecidos (Cofadeh), foram registradas, pelo menos, 14 mortes, mais de 50 feridos e cerca de 844 presos no país em decorrência da repressão.

Na segunda-feira (4), a Polícia Nacional emitiu uma nota na qual denunciou a possível fraude nas eleições e anunciou que não reprimiria mais a população hondurenha que, segundo eles, está nas ruas para defender seus direitos. "Nosso povo é soberano e a eles devemos nossa soberania, portanto, não podemos confrontar e reprimir seus direitos", ressaltou a Polícia Nacional na nota.

Já na terça-feira (5), o Comitê de Operações Especiais (Cobra) de Honduras anunciou uma "greve de braços cruzados" e afirmaram que não sairão às ruas até que a crise política do país centro-americano seja resolvida.

No comunicado, os integrantes do grupo revelaram também receber pressões de "alto nível" e reiteraram que seu dever é zelar pela ordem pública, respeitando sua natureza civil e apolítica.

*Com informações da TeleSur e da OEA.

Edição: Simone Freire | Tradução: Luiza Mançano