DEMOCRACIA

Artistas e intelectuais prestam apoio a Lula no Rio de Janeiro

Ato denunciou a perseguição da grande mídia e as arbitrariedades cometidas pelo Poder Judiciário contra o ex-presidente

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Lula disse em seu discurso durante o ato que espera que os juízes deem atenção à sentença e sua defesa antes de tomarem a decisão final / Flora Castro

Centenas de pessoas se reuniram, nesta terça-feira (16), no teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro (RJ), para se manifestarem pela democracia e pelo direito de Lula ser candidato à Presidência da República neste ano. O encontro, organizado por artistas e intelectuais, teve a presença de grandes nomes, como Beth Carvalho, Osmar Prado, Herson Capri e Antonio Pitanga. Em suas falas, eles destacaram a perseguição da grande mídia e denunciaram as arbitrariedades cometidas pelo Poder Judiciário contra o ex-presidente.

Com o teatro lotado, dezenas de pessoas ficaram do lado de fora para assistirem ao ato do telão montado na calçada. Entre os discursos, o ator Osmar Prado afirmou que mostrar apoio a Lula é defender o direito de o povo brasileiro se manifestar.

“Uma revista de grande tiragem me fez a pergunta se eu votaria em um condenado e minha resposta foi: 'Eu votaria sim, dependendo de quem o condena'. Lula está sendo condenado pelo atrevimento de ser um nordestino, com curso primário, ter assumido o governo deste país e fazer dar certo”, disse emocionado.

Ator Osmar Prado segurando o Jornal Brasil de Fato especial

Já o cantor Otto declarou ao Brasil de Fato que é dever de todo artista mostrar indignação diante do que está acontecendo no país. “Estou aqui porque é preciso retomar a democracia e o direito de defesa. O que está acontecendo é uma perseguição terrível, tem uma quadrilha montada para isso. A sacanagem é muito grande contra Lula porque o povo quer ele. Quando se perde a democracia, o artista é um dos mais crucificados. Precisamos da liberdade, por isso estamos aqui hoje, para lutar por ela”, afirmou.

A atriz Elisa Lucinda iniciou sua fala cantando o verso “Eu sou negão, meu coração é a liberdade”. Em seguida disse que escolheu a música para relembrar que, antes de Lula, quem governou o país foram meninos mimados que não dividem o brinquedo. “Eu não estou falando que quero ele de volta porque tenho ilusão, estou falando porque vivi a experiência de um governo de inclusão. Ninguém segura essa 'pretaiada' depois das cotas. Estou doida para que Lula volte e esse país volte para o eixo”, disse. 

Mas não só de futuros eleitores se fez o público de apoiadores a Lula. O humorista Gregório Duvivier afirmou que não sabe se votará no ex-presidente, mas que se manifesta porque tem que ser garantida a democracia.

"Não estou aqui em defesa de um ser humano e sim de um país inteiro. O Brasil hoje tem metade da população carcerária presa injustamente. A defesa de Lula é também dessas pessoas. Isso não quer dizer que vou votar nele, vai depender das alianças que ele vai fazer. Temos que pressionar Lula para fazer alianças à esquerda no futuro. Mas eu estou aqui hoje porque eu quero poder decidir em quem eu vou votar", argumentou. 

Julgamento

Com o julgamento em segunda instância agendado para a próxima quarta-feira (24), o mais rápido da Lava Jato, com apenas 42 dias entre a sentença de Moro e o início da tramitação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Lula disse em seu discurso durante o ato que espera que os juízes deem atenção à sentença e a sua defesa antes de tomarem a decisão final. "É a única coisa que eu peço. E que não tentem tomar decisões políticas para condenar um inocente", afirmou.

O ex-presidente ainda destacou que achou estranho o posicionamento dos juízes de Porto Alegre. "Não vou falar mal deles porque não os conheço, mas estranhei o presidente do Tribunal não ter lido a sentença e ter falado que ela era irretocável", destacou, em referência à declaração dada pelo presidente do TRF4, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, em que afirmou não ter lido a peça que será julgada.

Artistas e movimentos populares se manifestam no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro

Sobre sua candidatura à Presidência, Lula disse que esse não era a seu objetivo inicial, mas sim provar sua inocência. "Não precisava ser presidente agora, eu já fui. Mas olha, depois de tudo isso, quero ser. O dia que eles aprenderem a falar menos em corte e perceberem que uma nação não é construída por cotas de mercado e, sim, por homens e mulheres. E se é isso que os incomoda, agora eu quero incomodar".

Depois do ato no Rio de Janeiro, artistas e intelectuais de São Paulo se reunirão com o ex-presidente nesta quinta-feira (18), a partir das 19h, na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, no centro da cidade. O encontro é aberto ao público.

Edição: Nina Fideles