LUTO

Morte de Flávio Henrique, músico e presidente da TV Rede Minas, gera comoção

Internado desde o final de semana, Flávio faleceu em decorrência de complicações de febre amarela

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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“Não vão faltar homenagens a você e a toda sua obra por aqui”, escreveu o músico Helton Lima / Reprodução

O falecimento de Flávio Henrique Alves de Oliveira comoveu a classe política e artística de Minas Gerais. Envolvido com a defesa dos direitos humanos, Flávio era atualmente presidente da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), que engloba os meios de comunicação pública do estado, como a TV Rede Minas e a Rádio Inconfidência.

Ele faleceu na manhã desta quinta-feira (18), em decorrência de complicações de febre amarela, segundo nota oficial do Hospital Mater Dei em Belo Horizonte. Há dois dias, correntes de Whatsapp pediam doações de sangue a Flávio. Ele estava internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) desde o fim de semana, com quadro grave.

Flávio Henrique era também cantor, compositor, tecladista e pianista e chegou a gravar mais de 80 canções. Ao longo da sua carreira fez parcerias com músicos como Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Paulo César Pinheiro, Fernando Brant e Chico Amaral.

Repercussão

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC-MG) lamentou com tristeza, em nota, o falecimento de Flávio. "Músico e homem engajado, ele sempre se demonstrou aberto e sensível às pautas progressistas de defesa dos direitos", diz a nota.

O músico Helton Lima se manifestou em seu perfil pessoal. “Sempre muito gentil e positivo em todos os momentos”, escreveu, “Não vão faltar homenagens a você e a toda sua obra por aqui”. Helton e Flávio Henrique faziam parte, juntos, da banda Cobra Coral, projeto em que Flávio Henrique se dedicou no último ano.

A Secretaria Estadual de Cultura publicou nota em que destaca a dedicação do ex-presidente da EMC durante a transferência da Rádio Inconfidência e da TV Rede Minas para as novas instalações, a maior ação da comunicação pública nos últimos anos e que envolveu uma série de percalços. “Flávio Henrique foi, como gestor público, o que sempre foi como artista. Uma pessoa leal e digna que pôs o seu talento a serviço da cultura de Minas Gerais e do Brasil. Todos nós sentimos profundamente a sua partida”, afirmou o secretário estadual Cultura, Angelo Oswaldo.

Dom Walmor, arcebispo da arquidiocese de Belo Horizonte, prestou condolências em seu perfil do Facebook. “Em oração, peço a Deus que conforte o coração de todos e acolha, em sua infinita misericórdia, nosso irmão Flávio Henrique”. O violeiro Chico Lobo também o fez. “Não dá pra acreditar! Que Deus receba o querido Flávio Henrique e que Nossa Senhora cubra com seu manto todos os familiares. Consternação!”.

A servidora Brenda Marques, diretora do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e da Associação dos Servidores Públicos da Rede Minas, lembra das contribuições de Flávio Henrique à comunicação pública. “Ele trouxe à Radio Inconfidência um grande volume de participações de artistas e colaboradores. Esse com certeza foi um marco da sua gestão”, diz. A nota do Sindicato ratifica a afirmação, dizendo que Flávio "defendeu de forma marcante a valorização da produção cultural e intelectual do estado, priorizando aquela que é realizada de forma independente, sem o apoio do mercado e do poder econômico".


“Uma cigana leu a minha mão / E me pediu que não tirasse os meus pés do chão / Vi nos teus olhos abertos o mar / Abertos sem saber por onde iria navegar”



Verso da música Cigana, de Flávio Henrique e Brisa Marques


Vacinação é o melhor remédio contra a febre amarela

Levantamento divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde confirma 22 casos  da doença em Minas

Diante dos casos de contaminação por febre amarela em Minas Gerais, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) intensifica, neste sábado (20), a vacinação nos postos de saúde. Os 152 centros de saúde da capital estarão abertos das 8h às 17h. O serviço é gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“A vacina está disponível no SUS o ano todo, mas o povo só se preocupa quando tem esses alardes. Temos uma dificuldade de convencer o paciente adulto a se vacinar, porque simplesmente falam que não tem importância e que nunca vão pegar a doença”, pondera Alessandra Allen, enfermeira do Centro de Saúde Visconde do Rio Branco, de Venda Nova.

A Secretaria “alerta sobre a necessidade da vacinação, principalmente para aqueles que vão viajar para áreas de sítios, chácaras e região de matas silvestres. A imunização deve ser feita 10 dias antes da viagem”, diz o texto. A dosagem da vacina garante imunidade do paciente para o resto da vida.

Números em Minas

De acordo com dados divulgados, na quarta (17), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), de junho de 2017 até o momento foram confirmados 22 casos de febre amarela no estado. Desses, 16 pessoas não sobreviveram aos sintomas. Cerca de 95% dos casos confirmados são homens que não têm histórico de vacinação.

Para Alessandra, isso está relacionado à falta de cuidado que os homens têm com a própria saúde. “Esses homens estão na ativa, trabalhando. Eles não vão sair do trabalho para se vacinar nos postos de saúde. E ainda são poucas as campanhas de saúde do homem. As mulheres vêm mais ao centro de saúde porque elas engravidam, vêm fazer preventivo e mamografia”, aponta.

O que é a febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por mosquitos, tanto em áreas urbanas quanto silvestres. Em área silvestre, os principais vetores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes. Nas cidades, é transmitida pelo Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue. Os sintomas iniciais incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça intensa, dores no corpo, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza.

Edição: Joana Tavares