Denúncias

Juristas defendem a Constituição Federal em Ato no Acampamento Pró-Lula

Atividade debaterá como práticas da Operação Lava vão contra a Constituição e ferem direitos fundamentais

No audio source provided.

As irregularidades jurídicas da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, serão denunciadas por juristas em ato que será realizado no Acampamento Lula Livre, às 11 desta quarta-feira.

O acampamento está montando nas proximidades da sede da Polícia Federal, em Curitiba, desde que o ex-presidente Lula chegou ao local, no sábado (7).

O debate vai contar com a participação de professores universitários de Faculdades de Direito de instituições como a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade de Brasília (UnB), além de advogados e advogadas com ampla participação nas discussões.

O advogado e integrante de Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, Nasser Allan, é uma das pessoas que organiza a atividade. Ele explica que ato será de defesa da Constituição Federal, como através da garantia da presunção de inocência – algo que, segundo o advogado, foi ferido com a prisão do ex-presidente Lula após a sentença em segunda instância.

Segundo Allan, a Constituição Federal diz que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, ou seja, a prisão só poderia ocorrer após a decisão ter sido avaliada por todas as instâncias de Justiça – quatro, no total.

No dia 4 de abril, o Supremo Tribunal Federal negou o pedido de habeas corpus do ex-presidente, que impediria sua prisão após decisão de segunda instância – neste caso, do Tribunal Regional da 4 Região (TRF4). Por 6 votos a 5, os ministros rejeitaram o pedido.

Para o advogado, o resultado da votação no STF fez parte de uma estratégia da presidente Cármen Lúcia, que buscou tratar a questão como se fosse um pedido que beneficiasse apenas o ex-presidente.

“No entanto, o que está em jogo não é só a liberdade de Lula, mas é algo que transcende isso. Não considerar o princípio de presunção de inocência é algo que afeta as garantias individuais de todo os cidadãos e cidadãs brasileiros”, explica. “A prisão do ex-presidente Lula é um alerta para a sociedade de que o retrocesso jurídico pode não ter volta”.

Denúncias recorrentes
Juristas já denunciaram em outros momentos irregularidades na Lava Jato. Em agosto, a operação da Polícia Federal foi condenada em um Tribunal Popular realizado em Curitiba.

A sentença, de valor simbólico, foi lida pelo juiz Marcelo Tadeu Lemos, de Alagoas, e dada por oito jurados populares selecionados na hora. Um dos advogados criminalistas mais conhecidos do país, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, assumiu a defesa simbólica da Lava Jato.

A acusação ficou por conta do ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, que, entre as irregularidades citadas, destacou indiscriminado de delações premiadas, prisões preventivas e conduções coercitivas.

Editado por: Katarine Flor

|

Newsletter