Ao natural

Chef Bel Coelho visita cozinhas do Acampamento Lula Livre, em Curitiba

Vigília pela liberdade do ex-presidente comprova a “força que o Lula tem no Brasil”, diz a chef

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Para Bel Coelho, a condenação de Lula na Lava Jato se deu a partir de provas “extremamente frágeis” e teve “cunho político” / Ricardo Stuckert

A chef de cozinha Bel Coelho visitou o Acampamento Lula Livre, em Curitiba, na tarde desta quinta-feira (12). Proprietária de um restaurante voltado à alta gastronomia na cidade de São Paulo, Bel visitou as cozinhas comunitárias de onde saem as refeições para as cerca de duas mil pessoas que estão no acampamento.

“Cozinhar é muito duro, são muitas horas em pé, é calor, é pressão, é o medo de não dar a quantidade. Elas são muito guerreiras, são heroínas”, disse a chef, se referindo às cozinheiras do local, vindas de assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Depois de ter caminhado pelas ruas acampadas, Bel Coelho disse ver um movimento organizado e que representada a “força que o Lula tem no Brasil”. “Eu estou vendo a cara do povo brasileiro. Está extremamente organizado, limpo, em paz. Não vi nenhum movimento de incitação à violência. Qualquer narrativa contrário a isso é de má-fé, é ignorância, ou manipulação”, garantiu.

Lula e a Lava Jato

Bel Coelho enfatiza não ser contra a Lava Jato e a investigação de casos de corrupção; no entanto, condena a extrema seletividade e arbitrariedade da operação. Com relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avalia que a condenação se deu a partir de provas “extremamente frágeis” e que teve “cunho político”. “Eles queriam que ele estivesse fora. Eles têm um medo tremendo da força que ele tem, porque ele provavelmente ganharia, ou iria pro segundo turno dessas eleições”.

Em viagens feitas pelo interior do Brasil para a gravação de um programa de culinária, em 2013, Bel conta como percebeu a transformação promovida pelas políticas sociais do governo Lula na vida de pequenas comunidades: “foi monumental o que mudou na vida dessas pessoas durante esse governo. As pessoas passaram a ter uma geladeira, os filhos de muitas famílias passaram a poder ir pra escola. Ninguém me falou, eu vi”.

Na avaliação da chef, o governo atual promove um retrocesso absoluto. “A gente já está tendo um retrocesso muito grande nas conquistas sociais, na educação, no desenvolvimento em geral”.

Culinária sem veneno

Bel Coelho tem 23 anos de experiência em gastronomia, e assume como bandeiras na sua atuação a conscientização sobre a importância da produção e do consumo de alimentos sem veneno. Em São Paulo, seu restaurante serve pratos orgânicos e agroecológicos para um público de elite, como ela mesma classifica. Parte da matéria-prima de suas receitas vêm de assentamentos e cooperativas do MST e da agricultura familiar.

“Eu tento trazer de alguma forma essa consciência, mostrar pra eles [clientes] que estão consumindo um alimento bom, limpo e justo socialmente, e que isso é positivo. E fortalecer esses movimentos é positivo também pra eles, porque também estão se envenenando”. Para além do alto uso de veneno, a cozinheira chama a atenção para a destruição das florestas. “Daqui a pouco a gente vai começar a ter cada vez mais problemas com enchente, com seca. É muito sério o que a gente está fazendo com o Brasil. Acho que a gente tem que fortalecer esse outro lado”.

Valdirene Moreira, integrante do acampamento Fidel Castro, de Centenário do Sul (PR), conta que ficou contagiada pela história e pela garra da chef Bel Coelho. “Jamais imaginaria que existiria alguém grande, mexendo com área da comida, divulgando o que a gente produz, planta e colhe”.

A agricultura está entre as cozinheiras que se revezam para garantir a alimentação do Acampamento. “Eu acordo em torno das 4h30, cinco horas saio da minha barraca e já coloca água do café para esquentar. […] Nós somos em quatro, mas tem sempre companheiros dispostos a ajudar e tem nossa dirigente que está sempre ao nosso lado pra orientar. Aqui é um coletivo, um ajudando ao outro”, conta a acampada.

Edição: Franciele Petry Scharmm