Perfil

Osvaldão, um herói brasileiro

Conheça a trajetória deste mineiro que fez história na luta pela liberdade do povo

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Negro e de família humilde, o guerrilheiro virou lenda durante a Guerrilha do Araguaia / Reprodução

Neste 27 de abril de 2018, uma das grandes figuras da história brasileira completaria 80 anos. O legado deixado por Osvaldo Orlando da Costa é inestimável, embora sua trajetória seja ainda pouco conhecida. Negro, vindo de uma família humilde de Passa Quatro, no sul de Minas Gerais, Osvaldão era o caçula de oito irmãos.  Foi boxeador e tenente do Exército. Do pai, o padeiro José Orlando, Osvaldo herdou a coragem na vida, a dedicação no estudo e a nobreza no coração. 

A luta

Aos 20 anos foi para o Rio de Janeiro estudar na Escola Técnica Nacional e lá começou sua militância. Entrou para o movimento estudantil em 1958 e se filiou ao Partido Comunista do Brasil. Em 1960 foi convidado para estudar engenharia em Praga, antiga Tchecoslováquia. E lá se especializou em mineração. 

O homem

Em 1966 Osvaldão volta ao Brasil e vai para o Araguaia, no Pará. Na comunidade estabeleceu laços de amizade e confiança. A relação com os ribeirinhos era tão estreita que eles o tinham como um membro da família e não como alguém de fora. 

No final da década de 60, início de 70, começam os trabalhos na guerrilha. Como conhecia bem o local, era Osvaldão quem orientava e guiava os novos integrantes. Nas terras do Araguaia, ele mapeava e encontrava regiões de mineração. Extraiu pedras preciosas que ajudavam a financiar os custos com a guerrilha. Militantes e moradores da região afirmam que Osvaldão foi o primeiro a explorar o local que mais tarde ficou conhecido como Serra Pelada. 

O mito

Com mais de 2 metros de altura, porte de atleta e uma pontaria implacável, Osvaldão era literalmente uma barreira contra o ataque do Exército à guerrilha. Nos vilarejos do Araguaia, ainda hoje, correm as histórias sobre o negro, que ele era um ser mítico. Os ribeirinhos contam que ele era capaz de se transformar em pedra, árvore, vento, e de se tornar invisível. 

O comandante era temido pelos soldados e generais do Exército. Documentos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos relatam que soldados tremiam e desmaiavam quando ouviam o nome do guerrilheiro. Alguns o chamavam de “O gigante invencível”. Pela importância política e simbólica, capturar Osvaldão significava o fim da guerrilha no Araguaia. Inúmeras foram as investidas do Exército contra ele. 

Os generais descobriram que Osvaldo teve um filho com uma ribeirinha. O garoto, que se chamava Geovani, tinha 4 anos de idade quando foi sequestrado pelos militares e desde então desapareceu. A mãe do menino, Maria Viana ou Maria Castanheira - como era conhecida na região, infartou e faleceu uma semana após o sequestro da criança.

Depois de inúmeras investidas, em 1974, dois anos após o início das caçadas do exército, um mateiro - que havia sido cooptado pelos militares - atira e mata o comandante da Guerrilha do Araguaia. O corpo de Osvaldo foi exposto nos vilarejos da região. Os moradores relatam que durante todo o dia um helicóptero sobrevoou o Araguaia içando seu corpo, para exibir a derrocada do guerrilheiro. Mas, na memória de militantes e ribeirinhos, Osvaldão segue imortal.

Nos vilarejos do Araguaia, ainda hoje, correm as histórias que Osvaldão era capaz de se transformar em pedra, árvore, vento, e de se tornar invisível’.

Conheça mais

FILME: Documentário “Osvaldão” -  direção Ana Petta e Vandré Fernandes

LIVRO: “Osvaldão e a saga do Araguaia” - autor Bernardo Joffily 

Edição: Joana Tavares