Soberania alimentar

Privatização de fábrica de fertilizantes pode aumentar preço de alimentos

Produtos como feijão e batata podem ser afetados se empresas forem vendidas pela Petrobras, como quer o governo Temer

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Os trabalhadores da Fafen PR estão em estado de greve e nesta terça (17) um protesto aconteceu em frente a fábrica / Abridor de Latas

O governo Temer mandou a Petrobras vender a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) para a Acron, uma empresa russa, sem licitação. A medida só foi impedida pelo ministro Ricardo Lewandovski, do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu ser necessários debates em audiências públicas e votação no Congresso Nacional.  

Mas, para garantir que a fábrica não seja vendida, várias entidades e sindicatos, como a Federação Única dos Petroquímicos (FUP) e o Sindicato dos Químicos do Paraná (Sindiquimica), iniciaram campanha de conscientização para mostrar que a privatização põe a soberania alimentar do Brasil em risco.  Os trabalhadores da Fafen-PR estão em estado de greve e na terça-feira (17) um protesto aconteceu em frente a fábrica: “A qualquer momento, se a ameaça da privatização continuar, poderemos parar a produção da empresa. Foi mais um alerta ao governo”, explica Sergio Monteiro, coordenador do Sindiquimica, presente no ato.

Para Monteiro, “os países compradores farão o preço que bem entenderem e, como a agricultura é o ponto forte da economia brasileira, é preciso investir para que ela possa concorrer externamente. Se você tiver preços absurdos de fertilizantes, os agricultores não terão condições de assumir o custo”.  

Em março deste ano, a Petrobrás anunciou a "hibernação" das fábricas (Fafens) em Sergipe e na Bahia. O diretor de Comunicação da FUP, Gerson Castellano, afirma que, se ocorre, o fechamento e a venda das fábricas prejudicará a economia local. "Os fertilizantes são usados em alimentos de que dependemos muito, como feijão, batata, milho e trigo, que podem ficar mais caros para a população. Vamos ficar reféns de multinacionais que não vão priorizar o nosso mercado e também das oscilações dos países que serão importadores.” 

 

 

 

 

 

 

 

Edição: Frédi Vasconcelos e Laís Melo