Sem terra

Luz Marin | Nascida e criada na luta

A mãe de Luz participou da primeira Marcha Nacional pela Reforma Agrária, em 1995, quando ainda estava grávida dela

Brasil de Fato | Distrito Federal |
Luz Helena Marin, 22 anos, militante sem-terra
Luz Helena Marin, 22 anos, militante sem-terra - Júlia Dolce

Luz Helena Marin tem apenas 22 anos e se orgulha de haver participado de todas as marchas nacionais realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. É que em 1997, o jovem casal Maria de Jesus e Bernardo Marin, participaram juntos da primeira marcha em defesa da reforma agrária, enquanto já esperavam a chegada da menina. 

A cearense, estudante de Serviço Social, diz que os registros fotográficos da família deixaram sempre presente a história daqueles dias de caminhada, pouco tempo antes de ela nascer. “Ela foi, mesmo tendo condições estruturais difíceis, mesmo grávida. Mas a força, a garra, a vontade de lutar, não impediu que ela participasse desse processo como mulher lutadora que se posicionava, inclusive num momento em que era muito difícil ser mãe e militante”.

Luz conta que foi a força da mãe que conseguiu mudar algumas práticas dentro do MST, incluindo como parte do trabalho militante, o cuidado com as crianças que mais tarde vieram a ser conhecidas como os Sem Terrinha. “Quando ela engravidou ela disse: - ‘Eu não aceito. O coletivo é responsável por mim e agora eu sou mãe. O movimento precisa garantir as condições para que eu possa militar’. E por conta disso, foi feita a primeira ciranda infantil. Aí eu acabei sendo a primeira criança a participar de uma ciranda infantil do MST”, diz orgulhosa.

“Eu, na ciranda, era a criança que organizava a marcha, que ocupava as reuniões da direção, com outras crianças para poder pautar nossas reivindicações. Então eu sempre fui uma criança muito envolvida com o movimento. As músicas que eu cantava eram as músicas do movimento. Onde eu via um sem-terra eu me via nele, me identificava. E hoje, para mim, a maior felicidade é militar nesse movimento. Não consigo me ver fazendo outra coisa da minha vida”, relembra. 

Aos 14 anos, Luz começou a militar junto à juventude do MST, espaço que ajuda a construir até hoje, com a mesma garra da mãe, contribuindo para superar as contradições e avançar na construção do projeto popular que o movimento defende. “É muito bonito o processo que se dá no movimento, da nossa construção coletiva. Acho que nós avançamos muito no debate, as mulheres estão nos espaços, as mulheres enfrentam. Não é dizer que não existam contradições, mas elas são enfrentadas a todo momento. Então a gente está se colocando, ocupando os espaços. Essa marcha é um exemplo, ela é composta por homens e mulheres. As mulheres têm um protagonismo em todo o processo, e isso foi construído com muita luta, a luta dessas mulheres como minha mãe e como tantas outras”.

Luz é uma dos mais de cinco mil trabalhadores sem-terra que fazem parte da Marcha Nacional Lula Livre, realizada pelo MST no Distrito Federal, entre os dias 10 e 15 de agosto. A atividade busca ampliar a campanha pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do seu direito de ser candidato a presidente nas eleições de outubro. 

Edição: Tayguara Ribeiro