Eleições 2018

Mulheres candidatas a vice pautam feminismo nas campanhas

Campanhas buscam ampliar a participação das mulheres na política

Read in English | Leer en español | Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Fernanda Camargo lançou junto ao coletivo de mulheres do partido a campanha “Pela Vida das Mulheres: não seremos silenciadas” / Divulgação

As candidatas a vice-governadoras do Paraná, Fernanda Camargo (PSOL-Pr) e Anaterra Viana (PT-PR), tem algo em comum: a militância feminista e projetos para ampliar o número de mulheres na política. Ambas foram escolhidas durante as convenções dos seus partidos, na última semana.

O PT do Paraná reafirmou o ex deputado federal e atual presidente do partido, Dr. Rosinha, como candidato ao governo do estado. A surpresa da noite, durante a convenção, foi o anúncio do nome da jornalista Anaterra Viana, também do PT, como a candidata a vice. Ana é atualmente a Secretária das Mulheres do PT Paraná e vice-presidente do PT Curitiba. É uma das idealizadoras do Projeto Elas por Elas, que visa qualificar mulheres petistas para ingressar na vida política.

Para ela, o cenário eleitoral pós golpe trouxe ainda mais dificuldades para que as mulheres se aproximem da política: "Então, este projeto tem objetivo a médio e longo prazo de que nas próximas eleições o número de mulheres não fique restrito a cota de 30%”. Atualmente, apenas 10% de mulheres está na vida pública, desde o Congresso Federal, Assembleias e Câmaras.

A professora universitária e assistente social Fernanda Camargo, ao ser escolhida como “co-governadora”, nomenclatura usada pelo Psol, lançou junto ao coletivo de mulheres do partido a campanha “Pela Vida das Mulheres: não seremos silenciadas”: “Queremos fazer uma 'campanha movimento', o que debatermos e propusermos no período eleitoral deve avançar  como forma de coletivizar nossas ideias, em especial, para a proteção das mulheres no Paraná”.

Fernanda aproveita para explicar que o uso de co-governadora já é um posicionamento feminista: “Para mostrar que a gestão será compartilhada, nossas experiências serão complementares”.

Duas vices, militantes, mães e trabalhadoras

Ao responder como encontrou o feminismo, a candidata petista Anaterra diz que foi pelo exemplo da sua mãe, que criou duas filhas sozinha. “A minha mãe e a vida que ela teve, tendo que trabalhar e criando eu e minha irmã, me fez ver como as mulheres sofrem”. Ana é mãe, jornalista e diz que ao começar a participar das atividades dos movimentos feministas, decidiu que se filiaria ao PT: “Vi que nos espaços do legislativo e executivo que decisões sobre a nossa vida passam. Desta forma, acredito que a mulher ao ocupar os espaços políticos já está pautando o feminismo”.

Fernanda, mãe de dois filhos, afirma que além do seu cotidiano, a sua atividade profissional de assistente social lhe trouxe o contato diário com histórias de mulheres. “Trabalho na Vara de Infância e Juventude e ali vejo o quanto de mães ficam sozinhas no cuidado destas crianças. Muitas são vítimas de violência doméstica. Por isso, tenho me debruçado a pensar de que forma o Estado pode proteger as mulheres”.

Ambas candidatas concordam que o cenário eleitoral atual, com poucas mulheres participando, é o reflexo das dificuldades da falta de tempo para se dedicar à vida pública. “A tripla jornada que as mulheres enfrentam diariamente dificulta que ela vá para militância. É intencional do capitalismo que a mulher não tenha tempo”, diz Anaterra. Da mesma forma, Fernanda considera que é bastante diferente a realidade de um homem candidato de uma mulher candidata: "Portanto, este é o nosso desafio, lutar contra essas desigualdades e opressões”. No Paraná, das nove candidaturas ao governo do Estado, apenas duas são mulheres.

Edição: Laís Melo