Eleições 2018

Populações sofrem com falta de demarcação e educação ruim no interior do Paraná

Em entrevista, o candidato a deputado federal Luciano Palagano (PSOL) fala de seu trabalho com direitos humanos no oeste

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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"Tem um problema estrutural de adoecimento dos docentes e, como não tem concurso público para funcionários, o governo se utiliza disso" / Divulgação

Brasil de Fato – O senhor trabalha com direitos humanos na região oeste do Estado, em populações vulneráveis como os indígenas, como está a situação deles hoje?

Luciano Palagano – Há uma vulnerabilidade carencial muito grande, como no caso das crianças. Não há praticamente nenhuma escola nessas aldeias, se tem alguma estrutura é por trabalho voluntário. As crianças não têm carteira, sentam no chão. Todo ano tem de fazer arrecadação de materiais escolares. Falta água encanada, luz elétrica. Há relatos de famílias que para matar a sede pegavam água direto do lago de Itaipu, sem tratamento. E tudo que a gente requer do Estado, eles respondem que não podem fazer nada sem a demarcação das terras.

BdF - Que outros grupos vulneráveis há na região?

Temos a situação dos estrangeiros, haitianos senegaleses etc., que vieram trabalhar principalmente nos frigoríficos. A gente tem um trabalho com uma entidade que combate lesões por esforços repetitivos, que hoje atende a mais de 600 pessoas. Posso dizer que hoje os frigoríficos da região são uma fábrica de mutilados.

BdF - E como está a situação das escolas do Estado no interior?

Sou funcionário de escola e posso falar com propriedade. Por falta de funcionários, em diversas escolas determinados setores nem sequer abrem. Estão sendo também fechadas escolas rurais. Agora tem aluno que precisa se deslocar até 20 quilômetros para estudar. Outra questão é que professores e outros funcionários estão adoecendo. Dificilmente se encontrará uma escola em que não haja professores readaptados. Quem deveria estar de licença médica para se recuperar vai para uma função administrativa tapar buraco.

Edição: Laís Melo