Eleições 2018

Mulheres paranaenses também se organizam contra Bolsonaro

Pesquisas mostram que metade das mulheres não votaria em Jair Bolsonaro “de jeito nenhum”

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Ouça o áudio:

“Temo pelos meus filhos”, diz Marilê que é cozinheira / Arquivo pessoal

Nas últimas semanas, uma mulher negra, baiana, resolveu criar o grupo "Mulheres unidas contra Bolsonaro" no Facebook. Já com mais de 2,5 milhões de integrantes, elas começaram também a organizar atos de rua por todo o país. Ao contrário do que muitos pensam, os perfis da maioria das mulheres que fazem parte desta mobilização, via internet, não são de militantes e sim de mulheres preocupadas com a possível eleição de Jair Bolsonaro.

O Brasil de Fato Paraná buscou algumas dessas mulheres, moradoras do estado, para saber os motivos que as levaram se integrar ao grupo nacional e tornarem-se ativas na “guerrilha virtual” para convencer família, namorados, amigos e amigas a não dar seu voto ao candidato conhecido por declarações e atitudes machistas, misóginas e homofóbicas, além da incitação à violência.

Diferentes mulheres contra um só candidato 

                              

Jovem curitibana que trabalha como ilustradora de livros infantis, Bruna Assis Brasil, que no sábado (15), dia que o grupo foi hackeado, fez várias postagens pedindo que as mulheres não desistissem da organização, disse que sua adesão foi porque vinha se sentindo isolada, já que a família tem posições favoráveis ao candidato.  “Quando fui convidada para participar não pensei duas vezes. Fiquei maravilhada em ver os valores das mulheres que estavam ali: todo mundo se respeitando, mulheres de tudo quando é tipo, todas unidas por uma causa. Me comovi com as histórias de cada uma delas.” E diz que fará voto útil. “Nessa eleição eu escolhi na aversão ao discurso do Bolsonaro, votaria em quem fosse (ao segundo turno) para não o ver eleito”.

O candidato é responsável por falas defendendo que mulher receba menos que os homens. Além de vários pronunciamentos incitando à violência. Recentemente, o deputado foi condenado pelo STJ a pagar R$10 mil a deputada Maria do Rosário por dizer que “ela não merece ser estuprada por ser muito feia”.

Mãe de dois filhos homens já adultos e de uma menina de 5 anos, a cozinheira Marilê Bravo (foto capa), 48, que é de Francisco Beltrão (PR), diz que uma das principais motivações para entrar no grupo foi por pensar no futuro. “É um candidato que se manifesta contra o que é diferente, meu sentimento é de medo pela Ana, por ser uma menina filha de pai negro e especial (a filha tem síndrome de down)”.

Apesar de no passado, no ensino médio, ter participado do Movimento Estudantil, diz ter militado dentro de casa ao longo da vida, com os filhos: “Mas hoje tenho sentido vontade de falar com as pessoas nas ruas, essa união das mulheres me deu vontade de externar minha opinião e dialogar”.

                                          

O principal argumento da estudante paranaense de Pedagogia, Sanciaray, de ser contra a eleição de Bolsonaro, é o fato de que ele incentiva o ódio contra a população negra, um retrocesso na luta antirracista:  “Vemos as ruas tornando-se trincheiras para o genocídio da população negra. Essa semana mesmo vimos um jovem negro sendo morto na periferia por policiais que confundiram o seu guarda chuva como uma arma", aponta. Para ela, “ter uma figura desta no poder, que incentiva uso de armas e matar, é retrocesso para a luta antirracista, para comunidade LGBT e as mulheres em geral”.

Todas dizem que irão até o fim das eleições fazendo campanha contra o candidato, que vem sido referenciado como “ele”, para não ter o nome citado.

Ataque

No sábado, 15, o número de integrantes do grupo "Mulheres unidas contra Bolsonaro" chegou a duas milhões e cem mil mulheres. Na mesma noite, a página sofreu um ataque de hackers, que mudaram o nome do grupo para que ficasse favorável ao candidato do PSL. A página voltou a funcionar no domingo e, segundo informações no facebook, as administradoras vem tomando as medidas necessárias para denunciar como crime cibernético.

Conforme informações divulgadas na imprensa, administradoras haviam recebido ameaças em suas contas no WhatsApp. Os invasores exigiram que o grupo fosse extinto até às 24h de sexta-feira e tentaram intimidar as responsáveis pelo grupo ameaçando divulgar seus dados pessoais como CPF e RG.

Ato

No dia 29 de setembro a caminhada contra Bolsonaro reunirá milhares de mulheres no centro de Curitiba. A concentração a partir das 16h, na Boca Maldita.

Edição: Laís Melo