ELEIÇÕES

No Recife, professora sofre ataques e ameaças após criticar Bolsonaro

A educadora Fernanda Pessoa foi alvo de ataques organizados durante esta terça-feira

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Estudantes afirmam que a professora não conseguiu dar aula nesta terça (9), após receber ameaças e ataques inclusive de pais de alunos / Fernanda Pessoa/divulgação

A artilharia online do Movimento Brasil Livre (MBL), que atuou no golpe contra Dilma Rousseff (PT) e agora impulsiona a campanha do candidato de ultra direita à Presidência da República, se voltou hoje contra a professora pernambucana Fernanda Pessoa, que na semana passada, num "aulão", fez críticas abertas contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Alunos revelam que a professora não conseguiu dar aula nesta terça (9), muito abalada após receber ligações com ameaças e ataques contra sua honra. Pessoa tem um cursinho privado pré-Enem voltado para Redação e Linguagens com alta taxa de aprovação. As mensalidades ficam entre R$250 e R$300, mas ela concede um grande número de bolsas.

Em áudio gravado por um estudante durante um aulão na última quinta-feira (4), a professora pergunta quais dos seus alunos votarão em Bolsonaro e questiona: "Vocês acham certo ele não participar de um debate às vésperas de uma eleição? Por que ele não vai participar, se ele está bem e recebeu alta?". Ela avalia que a postura do candidato é prejudicial à democracia do país. "Eu preciso saber quais são as propostas dele. As pessoas precisam conhecê-lo. Por que ele não aparece para defender suas ideias?", indaga. Na sua opinião, a sociedade está prestes a tomar uma decisão baseada na revolta.

Durante a conversa, ela afirma que seu voto é do candidato Ciro Gomes (PDT). O Movimento Brasil Livre (MBL) publicou em suas redes a imagem da professora, com acusações de que ela teria constrangido os estudantes e acusou-a de "doutrinação" por exprimir sua opinião. Contraditoriamente, o movimento lamentou, horas depois, que o um professor da UFPE defensor de Bolsonaro foi alvo de protesto de estudantes de esquerda, também nesta terça (9).

Em outro áudio a professora parece estar numa postura defensiva, alegando que não vai abrir mão de sua liberdade de expressão na sala de aula. "Eu vou dar minha opinião sempre. Não posso? Aqui não é ambiente de 'lavagem cerebral', porque aqui cada um tem acesso a informação e pode opinar o quanto quiser. Só não fala quem não quer", pontuou.

Fernanda Pessoa também lamentou o que classificou como imaturidade para conversar sobre política. "A gente não tem preparo para falar sobre político num ambiente maduro. Por isso estamos nessa situação, à beira de um colapso. E pelo que tenho escutado das pessoas, não tem chance de melhorar", lamentou. "Precisamos defender ideias, não reproduzir o que ouvimos das pessoas. Extremismos matam e continuarão matando", alertou a educadora.

Ela também reafirmou sua posição em defesa dos grupos mais fragilizados da população. "Eu não acredito nessa ideia de ter que oprimir a classe trabalhadora para ter o meu dinheiro. Eu não trabalho tirando proveito das camadas inferiores da sociedade".

Pessoa ainda destaca que é a favor de um projeto inclusivo, que protege as minorias. "Eu incluo pessoas, independentemente de quem elas sejam, de onde elas venham, sem saber se me darão retorno financeiro, sem oprimi-las e sem tratá-las de forma diferente", pontuou.

Edição: Monyse Ravena