Manifestações

Haddad: "Temos tempo suficiente para virar essa eleição"

Enquanto diversos atos contra Bolsonaro estão sendo realizados no país, presidenciável pelo PT realizou ato em Fortaleza

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Ato com Haddad em Fortaleza (CE) neste sábado (20) / Mídia Ninja

Num sábado ensolarado e animado, que transcorre com manifestações em defesa da democracia por todo país e exterior, o candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) foi recebido por aproximadamente 50 mil pessoas em Fortaleza, no Ceará.

O ato, que começou com uma caminhada pela rua General Sampaio, foi colorindo de lilás o centro de Fortaleza e ganhando corpo até a chegada da Praça do Ferreira, onde Fernando Haddad realizou o comício. Ao lado de Guilherme Boulos, candidato à presidência no primeiro turno pelo PSOL, o governador do Ceará Camilo Santana (PT), a senadora Gleisi Hoffmann (PT) e sua companheira Ana Stella Haddad, o petista fez uma fala incisiva em defesa da democracia, da retomada dos investimentos para qualificar a infraestrutura no Nordeste e a geração de emprego e renda.

Haddad destacou a importância que teve o investimento na educação no estado, durante os governos Lula e Dilma, por meio da implantação da Universidade Federal do Cariri (UFC), em Juazeiro do Norte, e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em Redenção, que proporcionou a construção de campus vocacionados para o que há na região. O candidato também elogiou a participação do estado e do Congresso na constituição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que possibilitou a criação do Piso Nacional do Magistério, e garante ao Ceará exibir hoje uma das melhores taxas de qualidade da educação básica.  

“É bonito ver como a gente vai vencendo os preconceitos com exemplo. E a gente dizia para o pessoal do Sul e do Sudeste: se a gente investir no pessoal do Ceará, o povo vai reagir, a economia vai crescer. Das 100 melhores escolas públicas do Ensino Fundamental, 82 estão no Ceará”, frisou Haddad, ao parabenizar o governador do Ceará Camilo Santana, reeleito com 80% dos votos.

Ao criticar a proposta de ensino à distância, defendida pelo candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, o presidenciável colocou a educação como prioridade. “Nós fomos da creche até a universidade sem pular etapa, e agora o desenvolvimento educacional do Ceará já atinge o ensino médio, dando exemplo de quando você começa a cuidar das crianças elas se tornam jovens com oportunidade e esperança”.

A retomada do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é outro compromisso que pontuou no discurso. Uma delas é a conclusão da ferrovia Transnordestina que, segundo ele, contribuirá para a continuidade do desenvolvimento não apenas do Ceará, e beneficiando o Piauí, Maranhão, Pernambuco e todo o Nordeste. “Estou determinado a colocar uma carteira de trabalho [da população] numa mão e um livro na outra. É assim que o povo vai se desenvolver”, disse Haddad, ao valorizar a capacidade do ex-presidente Lula, "um presidente nordestino que trouxe o desenvolvimento para a região”.

Empolgado, Haddad disse que a crise [política e econômica] tem data para acabar. “Dia 28 de outubro, a gente vai eleger Haddad e Manuela para ser feliz de novo, com liberdades, direitos sociais, direitos civis e não essa aberração que eles inventaram”, prometeu o petista, ao criticar o adversário “que só fala em violência, ofende os nordestinos, ofende as mulheres, ofende os negros; é uma figura doentia, que só tem ódio no coração”.

Presente no ato em Fortaleza, Camila Holanda, professora da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e integrante do Movimento Cada Vida Importa, concordou com o candidato do PT. “Estamos aqui convocando as pessoas do nosso país para acreditarem com a gente, pra construirmos realmente um país onde a democracia seja a pauta maior, e não a violência, a intolerância, o desrepeito e o desamor”.

Depois de Fortaleza, o presidenciável seguiu para Juazeiro do Norte (CE). Após visitar o Horto da cidade, Haddad concedeu uma coletiva onde criticou seu adversário Jair Bolsonaro, a Justiça e a mídia.

Haddad afirmou que a Justiça “não deveria por panos quentes nisso [denúncia de caixa 2 de Bolsonaro]. “Após a aprovação do Fundo Partidário e Fundo eleitoral, a prática de financiamento público, a prática de caixa 2 pelo meu adversário deveria ser repudiada por todo país. Ele está usando empresários para, mediante contratos privados com empresas que fazem disparo em massa, veicular mensagens falsas a meu respeito para ganhar voto. Isso põe em risco a democracia no país".

Na avaliação de Haddad, se a Justiça tivesse autorizado a busca e apreensão das empresas responsáveis pela veiculação dos disparos de whatsapp, se chegaria aos responsáveis. “Íamos achar os computadores e os contratantes. A gente ia desbaratar essa quadrilha que se organizou em torno do Bolsonaro”, explicou.

A negação ao debate, para Haddad, é outro forte motivo que demonstra que Bolsonaro não tem proposta, não tem programa, “é um soldadinho de araque”. “Está querendo um cheque em branco do país para ser presidente da República. Ser presidente sem dar satisfação”, ironizou.

Apesar do apoio econômico de bancos e “toda elite” ao candidato do PSL, condescendência dos veículos de comunicação, como o jornal O Estado de São Paulo, a Record, Haddad está confiante. “Segundo algumas pesquisas falta 3 pontos para eu passar os 50%, outras dizem que faltam 7, 8 pontos. Não importa, falta muito pouco, temos tempo suficiente para virar essa eleição e derrotar o que ele [Bolsonaro] representa: tortura, ditadura, cultura do estupro”. 

No final da tarde, Haddad realizou um ato na cidade de Crato, onde foi recebido por milhares de pessoas. 

Ainda pela manhã diversos atos "Todas e todos pelo Brasil" foram realizados no país. Campinas reuniu mais de 5 mil pessoas pelas ruas no ato #BolsonaroNão #DemocraciaSim. Também tiveram atos em Sergipe, Florianópolis e Goiânia.

 

Edição: Mauro Ramos