Sem debate

"A Justiça reconhece o fascismo em meu adversário”, diz Haddad

Em sabatina na TV Educativa da Bahia, candidato criticou a retirada de faixas em universidades

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Antes da entrevista, ex-ministro da Educação participou de ato político em Salvador / Ricardo Stuckert/Haddad Oficial

Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, comentou na noite desta sexta-feira (26) a perseguição judicial e policial a universidades que estenderam faixas anti-fascistas em suas fachadas. Para ele, as ordens de Tribunais reconhecem implicitamente que Jair Bolsonaro é autoritário. 

“Por que a justiça veste a carapuça de Bolsonaro? Quando a Justiça manda retirar faixas anti-fascistas de universidades, a Justiça reconhece em meu adversário o fascismo. Isso não está de acordo com nossa Constituição. A ameaça à autonomia universitária é gravíssima”, afirmou em sabatina ao vivo na TV Educativa (TVE) da Bahia. 

O petista não poupou críticas ao adversário, que não participou de nenhum debate no segundo turno – algo inédito desde a abertura política do país. “Meu adversário é fraco, se acovarda diante do debate, preferiu fazer um diálogo de baixo nível pelas redes sociais e fugiu a todo momento. Se ele tivesse a menor condição de presidir a República, ele teria me enfrentado. Eu sempre participei de sabatinas e debates”, ressaltou.

Haddad também lamentou a postura da Rede Globo, que cancelou o debate por conta da recusa de Bolsonaro em participar. O ex-ministro citou a medida tomada pela emissora no Distrito Federal, que manteve a entrevista com Rodrigo Rollemberg (PSB), candidato à reeleição para governador, a despeito da ausência de Ibaneis (MDB). 

O presidenciável aproveitou a oportunidade para reforçar a diferença entre o projeto que representa e as posições políticas de Bolsonaro.

“O PT nasceu na base, no movimento sindical, nas Comunidades Eclesiais de Base, na intelectualidade progressista. Nasceu com dois compromissos: o primeiro é a liberdade, refutando qualquer regime de força, de esquerda ou direita. O segundo é o combate à desigualdade. Esses compromissos originais foram mantidos até hoje. Não nós desviamos dele. Aprendemos com nossos erros, mas não abandonaremos nosso legado”, ponderou.

Do ponto de vista econômico, o petista enfatizou a proposta de baixar o preço do botijão de gás para menos de R$ 50,00. Em seguida, foi direto ao afirmar que seu adversário – que teria uma personalidade “doentia, que está sendo adocicada pelo establishment” – representa uma ameaça à democracia brasileira.

“Eu não bato continência para os EUA e para torturador. Não delego para outros as decisões. Bolsonaro não é mudança, é continuidade do Temer para pior. O medo não é de Bolsonaro enquanto pessoa, mas do que ele representa. Ele incita as pessoas a serem violentas”, declarou. 

Haddad mostrou-se otimista, chamando atenção para a virada conquistada em São Paulo como indício de que o Brasil vive uma onda de rejeição a Bolsonaro e de defesa do projeto democrático.

 

Edição: Daniel Giovanaz