Resistir

Militantes dizem como se contrapor ao discurso de ódio e às práticas violentas

Pós eleição marcada pelo discurso do ódio grupos organizados seguem resistindo contra retrocessos

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Juliana Mittelbach afirma que a primeira batalha é manter os direitos e políticas públicas que já foram conquistados / Divulgação

Numa eleição marcada pelo discurso do ódio e em que muitos direitos conquistados nos últimos anos estão sob ataque, o Brasil de Fato PR ouviu militantes políticos de diversas áreas para falar sobre resistência no próximo período com pessoas que no seu dia a dia estão envolvidas com pautas importantes. 

Resistir para não regredir 

"Com o novo governo haverá mais enfrentamento e confronto por conta das manifestações que o presidente eleito fez sobre questões referentes à machismo, racismo, entre outras. Vamos resistir para que não regridamos. Nossa preparação é para resistência para que a gente consiga manter o que conquistamos, como as cotas nas universidades públicas e programas como Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família, que tiraram gente da miséria, principalmente a população negra."  

Juliana Mittelbach, mulher, negra, militante da Marcha Mundial das Mulheres e da Rede Mulheres Negras Paraná 

Intensificar a o acolhimento a vítimas  

“Nós trabalhamos há bastante tempo reivindicando e formulando políticas públicas e participamos da construção do pouco dos avanços e direitos garantidos para a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex. Nosso processo de resistência, de lutas e formação política continua. Vamos intensificar, porém, o acolhimento que já fazíamos à pessoas vítimas de violência em razão da sua orientação sexual e debater nossa atuação em redes com um sistema aperfeiçoado de segurança para nossa população LGBTI. 

Marcio Marins, homossexual e voluntário na Associação Paranaense da Parada da Diversidade e Dom da Terra Afro LGBTI 

Precisamos voltar para a base 

"Pela Frente Mobiliza, nós atuamos com questões que são sensíveis à cidade e aos cidadãos, especialmente na habitação de interesse social e regularização fundiária. Temos discutido que será importante nesse próximo governo fazer um trabalho de base grande com a população que está em áreas, por exemplo, que necessitam de regularização. Muitas pessoas que não têm conhecimento sobre seus direitos. É urgente voltar a estar com elas pessoalmente e tentar ajudar na estruturação da consciência de direitos."  

Lorreine Vaccari, arquiteta urbanista e integrante da Frente Mobiliza Curitiba 

 

 

Edição: Laís Melo