CULTURA

Opinião | O coro angelical e a identidade musical

"Cada sociedade consciente ou não desse fato, retrata na música que produz e que ouve o seu dia-a-dia"

Brasil de Fato | Recife (PE)

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"A música se faz presente na cultura de todos os povos e de todas as sociedades" / Cultura PE

A música é sem dúvida a mais incrível e elevada expressão artística, ela nos inspira, nos acalma, nos eleva a alma e o coração. Como não sentir a paz transmitida por uma orquestra sinfônica constituída dos mais variados instrumentos que, em completa harmonia parecem emitir um único som, como o coro celestial ouvido por dante ao conhecer o paraíso em busca de sua Beatriz? Como não se deleitar com o trabalho dos grandes gênios da música clássica, ou com as belas, poéticas e criativas letras de grandes nomes da música brasileira e mundial? Mas, como poderíamos reduzir a mais elevada expressão artística a apenas duas frações do todo que se constitui, como uma necessidade inata do ser humano? Essa forma de expressão histórico-social não poderia permanecer nas mãos de camadas privilegiada da sociedade que acredita que todas as outras centenas, senão milhares, de manifestações musicais, não sejam cultura, por não serem eruditas, por não terem letras profundas ou melodias suaves e harmônicas.

Ora, cada povo, cada grupo, cada sociedade consciente ou não desse fato, retrata na música que produz e que ouve o seu dia-a-dia, seus sonhos dramas e modo de vida. E a forma que isso se dá é diferente em cada região do globo, a única constante é: a música se faz presente na cultura de todos os povos e de todas as sociedades incluindo a contemporânea, de cunho religioso/ritualístico ou como pura expressão política, social e histórica ela está lá. Cultura, que nada mais é que o conjunto de conhecimento produzido por um grupo de pessoas seus hábitos e costumes, suas manifestações artísticas como consta no próprio dicionário.

Todo conteúdo intelectual produzido e todos os costumes assimilados por determinado grupo de indivíduos mostra-nos sua identidade, e aqui chegamos na palavra-chave: "Identidade". É preciso que o povo reconheça sua identidade e se orgulhe dela, afinal são suas origens e afetam diretamente sua maneira de enxergar o mundo, para que assim enxerguem-se no mundo. Como qualquer livre expressão do coletivo não podemos falar em música "boa" ou música "ruim", mas músicas diferentes, livres manifestações de um grupo, que vive uma realidade diferente da que eu vivo, com isso não classifico melhor ou pior, me detenho na palavra "diferente", diversidade é a palavra-chave aqui. Não poderia ser de outra forma para que a música de fato atingisse seu propósito. Precisamos entender que somos muitos, cada indivíduo único e membro de uma coletividade com a qual se identifica e tem afinidade, com culturas diferentes, mas nunca sem cultura alguma, nem mesmo um eremita poderia ser de todo aculturado.

 

*Giordano Bruno é um estudioso nascido em Garanhuns. Espírito livre e pensador independente.

Edição: Monyse Ravenna