Privatização

Ratinho Jr. quer privatizar presídios com modelo que não deu certo

Relatório do Ministério da Justiça dos Estados Unidos comprovou ineficiência da gestão privada

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Levantamento da Sentencing Project apontou que funcionários que trabalham em penitenciárias privadas recebem 58 horas a menos de treinamento / Wilson Dias/Reprodução

Em entrevista à Globo News, o governador do Paraná, Ratinho Jr., defendeu privatizar a gestão dos presídios. Ao se referir o modelo de sua preferência, citou o que acontece nos Estados Unidos. Modelo que o próprio o governo americano está voltando atrás. 

Em 2016, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que as prisões federais privatizadas voltariam para o governo. A subsecretária de Justiça dos EUA, em memorando na época, disse que “as prisões privadas tiveram papel importante durante um período difícil, mas o tempo mostrou que têm desempenho inferior se comparadas às nossas instalações.” E “não oferecem o mesmo nível de serviços correcionais, programas e recursos, não apresentam redução significativa de custos e não mantêm o mesmo nível de segurança e proteção.” 

A decisão do governo dos EUA se deu após a publicação do órgão equivalente ao Ministério da Justiça brasileiro, que analisou 28 unidades prisionais. Entre os dados levantados, classificam-se as prisões privadas como mais perigosas que as públicas, com falhas na fiscalização, maior número de agressões, contrabandos e motins etc. 

Combate a organizações criminosas 

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Ricardo Miranda, contrário à proposta de privatização, cita principalmente a importância de profissionais concursados para combater as organizações criminosas. 

“Só quem consegue fazer o real enfrentamento às organizações criminosas hoje são os agentes penitenciários, por serem profissionais concursados, treinados e preparados para a função. Como poderemos assegurar que um trabalhador que pode ser demitido a qualquer momento vá fazer o enfrentamento a líderes de organizações criminosas?”, questiona.

Edição: Laís Melo