DIÁLOGO

No Uruguai, comunidade internacional discute saída pacífica para crise na Venezuela

Cinco países latino-americanos e oito da União Europeia participam de conferência em Montevidéu

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, e Federica Mogherini, representante da União Europeia, durante entrevista coletiva / Presidencia Uruguay

O Uruguai sedia nesta quinta-feira (7) a conferência de diálogo internacional convocada por seu governo em conjunto com o governo do México no dia 30 de janeiro. Participam da reunião representantes de cinco países latino-americanos – Bolívia, Costa Rica, Equador, além dos convocantes – e representantes de oito países da União Europeia: França, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.

O que está acontecendo na Venezuela?

Em uma coletiva de imprensa realizada na véspera da reunião, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, afirmou que a decisão de convocar a conferência não nasce “do vazio”, mas diz respeito à posição histórica do país.

“A postura do Uruguai é consequente com a sua longa trajetória de uma política exterior de não-intervenção, de igualdade soberana, de autodeterminação dos povos e da solução pacífica das controvérsias e proteção e promoção dos direitos humanos”, declarou.

No mesmo sentido, o Ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, afirmou na última terça-feira (5) que os dois países defenderão uma saída pacífica para a situação da Venezuela. Segundo Ebrard, que lidera a comissão mexicana no encontro, o país pretende colaborar para um diálogo entre as partes, que lhes permita alcançar uma resolução política negociada.

“O México é uma democracia com muito peso e convocamos [a conferência] porque temos autoridade moral e política. Temos uma das democracias mais fortes do continente e o que falamos tem peso. Vamos usar este peso e reconhecimento para evitar um enfrentamento”, disse o chanceler.

Os dois países adotaram uma posição de neutralidade e não-intervenção em relação ao conflito na Venezuela, na contramão do que fizeram outras nações latino-americanas, reunidas no Grupo de Lima – que reconheceram o autoproclamado Juan Guaidó como presidente interino.

Mecanismo de Montevidéu

Em uma reunião realizada nesta quarta-feira (5), às vésperas da conferência internacional, México, Uruguai e os 14 países integrantes da Comunidade do Caribe (Caricom) acordaram uma proposta de diálogo para a Venezuela que inclui quatro pontos, a ser realizada em quatro etapas.

A mais imediata é o diálogo, no qual o papel da comunidade internacional seria o de "produzir as condições para o contato direto dos atores envolvidos, em um ambiente seguro", como informa o documento oficial redigido por México e Uruguai. A segunda é a negociação, onde seriam apresentados os resultados do diálogo imediato, buscando pontos em comum e áreas de oportunidade para a flexibilização de posições das partes envolvidas, além da identificação de acordos potenciais. Na terceira fase, seria estabelecido o compromisso com a construção e assinatura dos acordos, a partir dos resultados da fase de negociação. Na quarta e última, a comunidade internacional acompanharia a implementação dos compromissos assumidos na fase anterior.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou nas redes sociais estar de acordo com a proposta formulada por México e Uruguai, ratificada pela Caricom e pela Bolívia. "Apoiamos a proposta das quatro fases de diálogo na Venezuela. Estamos prontos para participar de uma agenda aberta de entendimento pela paz”, declarou o mandatário.

A proposta, chamada de "Mecanismo de Montevidéu", será apresentada aos países participantes da conferência nesta quinta-feira (5). 

Grupo de Contato Internacional

No âmbito das divergências entre as nações do bloco em formular uma declaração comum, apesar da pressão internacional, principalmente dos EUA, foi criado o Grupo de Contato Internacional, formado pelos oito países presentes na conferência de Montevidéu. Entre as nações que integram o grupo de diálogo, apenas a Itália não reconheceu a autoproclamação de Juan Guaidó. Entre as propostas apresentadas pelo grupo nesta quinta-feira (7), está a realização de eleições na Venezuela no prazo de 90 dias. 

Na coletiva de imprensa que antecedeu a conferência de Montevidéu, Federica Mogherini, alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores, declarou que, apesar das posições distintas, os países têm como objetivo contribuir para chegar a uma solução política, pacífica e democrática.

“O objetivo deste grupo não é impor processos ou soluções aos venezuelanos. Está claro que a solução para esta crise deve partir do povo da Venezuela. Acreditamos que uma iniciativa internacional é importante para acompanhar uma saída pacífica e democrática para a atual crise por meio de eleições presidenciais livres, transparentes e confiáveis”, declarou.

Movimentos populares

No marco da reunião em Montevidéu nesta quinta-feira (5), os movimentos populares do país convocaram uma manifestação em defesa do Diálogo e da Paz na Venezuela para defender a proposta de negociação apresentada pelos governos de México e Uruguai e rechaçar a ideia de intervenção dos Estados Unidos através de sanções e apoio a Juan Guaidó.

Cartaz de divulgação do ato realizado em Montevidéu, capital do Uruguai, nesta quinta-feira (7)

Edição: Daniel Giovanaz